Terça-feira, 23 de junho de 2026
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Após confrontos noturnos entre Teerã e Washington na região do Golfo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou nesta quarta-feira (10/06) que os esforços diplomáticos com os Estados Unidos não podem avançar em meio a repetidas violações do cessar-fogo, mensagens contraditórias e mudança nas demandas norte-americanas. Ainda de acordo com o representante da chancelaria, Tel Aviv também tem prejudicado o processo diplomático ao continuar atacando o sul do Líbano, sendo a cessação das ofensivas israelenses na região um dos requisitos abordados por Teerã.

“Infelizmente, os Estados Unidos, por meio das mensagens contraditórias, das repetidas mudanças em suas posições e demandas e, pior ainda, das repetidas violações do cessar-fogo, estão prejudicando o processo diplomático”, disse Baghaei, acrescentando que revisará sua postura e as condições envolvendo futuras negociações. “Qualquer processo diplomático é prejudicado pelo uso da força e pelo recurso a ações ilegais no terreno”.

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Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi também acusou os Estados Unidos de “violação da soberania nacional e da integridade territorial” do país persa. Em conversas telefônicas com os chanceleres da Turquia e da Arábia Saudita, Araghchi condenou a ação militar norte-americana e reiterou que Teerã mantém o “direito inerente à legítima defesa e de uma resposta recíproca”.

Na última madrugada, o Exército dos Estados Unidos realizou ataques no sul do Irã em retaliação ao suposto abate de um helicóptero Apache que o presidente norte-americano Donald Trump alegou ter sido de autoria do país persa. Em nota, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) justificou sua violação como um “ataque de autodefesa contra o Irã” e “uma resposta proporcional à agressão iraniana injustificada”. iInda segundo o órgão, as ofensivas atingiram a defesa aérea iraniana, estações de controle terrestre e radares de vigilância próximos ao Estreito de Ormuz.

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O Exército iraniano e a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) lançaram, em resposta, uma série de contra-ataques contra instalações militares norte-americanas no Oriente Médio.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, destacou que a guerra não é do interesse do país persa, mas defendeu a resistência em caso de violações, conforme noticiou a agência IRNA. “Devemos avançar com dignidade de uma forma que salve o futuro do nosso país de crises e tempestades”, disse ele.

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou que os esforços diplomáticos com os Estados Unidos não podem avançar em meio a repetidas violações do cessar-fogo
IRNA

Trump ameaça novos ataques

Em entrevista telefônica à emissora conservadora Fox News, o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, levantou nesta quarta-feira a possibilidade de ordenar novos ataques a usinas e pontes instaladas no Irã. Já na rede Truth Social, acusou Teerã de estar “demorando demais para negociar um acordo que teria sido ótimo para eles”. No dia anterior, o republicano havia informado um tratado definitivo poderia ser alcançado em “dois ou três dias”.

“Agora eles terão que pagar o preço!”, acrescentou em publicação.

Ainda em outra postagem, Trump atacou a imprensa global e a acusou de não reportar a eficácia do bloqueio norte-americano em curso contra o Irã, chamando-o de “o bloqueio mais bem-sucedido da história da Guerra Naval”.

“NADA PASSA a menos que a gente queira. É UMA PAREDE DE AÇO!”, afirmou. “O Irã não faz NENHUM negócio, não paga suas forças armadas, nem nenhuma de suas contas, e rapidamente se torna uma NAÇÃO FRACASSADA! Muito óleo está saindo. Louvado seja Allah!”.