Irã denuncia à ONU ataques de EUA e Israel a universidades em Teerã: 'crimes de guerra e terrorismo'
Em carta, embaixador iraniano afirma que Universidade Sharif, conhecida como 'MIT do Irã', foi gravemente danificada; ao menos 600 centros educacionais foram atacados
O representante permanente do Irã na ONU, Amir Saeed Iravani, denunciou em carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e ao presidente do Conselho de Segurança da ONU, Jamal Fares Alrowaiei, os ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel direcionados a universidades de Teerã, destacando a destruição da Universidade de Tecnologia Sharif e de partes da Universidade Shahid Beheshti.
O embaixador classificou esses ataques como crimes de guerra deliberados e atos de terrorismo de Estado, apelando à comunidade internacional para que intervenha e responsabilize os perpetradores por suas ações que ameaçam a paz e a segurança globais.
“Nas primeiras horas de 6 de abril de 2026, a Universidade de Tecnologia Sharif foi atacada pelo regime israelense e pelos Estados Unidos. Este ataque ilegal causou graves danos à Faculdade de Engenharia Civil, ao Departamento de Filosofia da Ciência, aos Institutos de Pesquisa em Nanotecnologia e Meio Ambiente, ao prédio do Instituto de Pesquisa Convergente, à Faculdade de Engenharia Elétrica e a outras instalações”, denunciou.
Conhecida como “MIT do Irã”, por ser comparada ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) dos EUA, a Universidade Sharif é a principal do campo da tecnologia e da engenharia do país, funcionando como uma plataforma de Inteligência Artificial (IA) iraniana. Não foram registradas mortes neste ataque.

A Universidade Sharif do Irã foi bombardeada em um ataque conjunto dos EUA e de Israel
Tasnim
O diplomata relembrou que o ataque sucede a outro crime de guerra “perpetrado pelos agressores” em 3 de abril de 2026, quando partes da Universidade Shahid Beheshti, em Teerã, incluindo o Instituto de Pesquisa em Laser e Plasma, foram gravemente danificadas. “O ataque intencional a instituições científicas e universidades constitui uma clara violação do direito internacional humanitário e configura um crime de guerra”, acrescentou.
Iravani afirmou que a “barbárie faz parte de uma política mais ampla e sistemática, reconhecida abertamente pelo presidente dos Estados Unidos e pelo primeiro-ministro criminoso do regime israelense, e constitui uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais, exigindo atenção imediata e responsabilização”.
O representante iraniano declarou que os Estados Unidos e o regime israelense “devem assumir total responsabilidade pela prática desses atrozes crimes de guerra”.
O ataque a instalações civis é considerado crime de guerra pelo direito internacional. Na última semana, os ministros da Ciência, Ali Simayi Sarra, e da Saúde, Mohammad-Reza Zafar-Qandi, emitiram comunicado conjunto condenando esses ataques e pedindo uma resposta da comunidade internacional.
Segundo dados da Cruz Vermelha Iraniana, pelo menos 600 centros educacionais ou escolas foram atacadas desde o dia 28 de fevereiro. Entre os ataques a centros educacionais, está o bombardeio contra a escola em Minab, no primeiro dia da guerra, que matou cerca de 180 crianças.























