Irã denuncia ‘grave crime de guerra’ dos EUA e responde atacando bases militares no Oriente Médio
Guarda Revolucionária iraniana informou ter atingido quatro instalações norte-americanas no Kuwait, Catar e Bahrein, classificando violações de Washington como 'precipitadas'
Atualizada às 10h09
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) anunciou ter atingido bases militares e instalações dos Estados Unidos na região do Oriente Médio nesta quinta-feira (09/07) em uma operação de mísseis e drones. Trata-se de uma retaliação às contínuas violações das autoridades norte-americanas que, pela segunda noite consecutiva, conduziram bombardeios contra pontes ferroviárias estratégicas e várias áreas das províncias costeiras do sul iraniano. De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM, na sigla em inglês), foram “90 alvos militares” atingidos no país persa.
Divulgado pela agência Tasnim, em comunicado, o IRGC detalhou que, em sua primeira fase retaliatória, atingiu “quatro bases norte-americanas no Kuwait e no Bahrein”. Posteriormente, os militares iranianos afirmaram que “dando continuidade aos ataques”, foram atingidos “um sistema de interceptação de mísseis Patriot no Kuwait, um sistema de alerta antecipado no Catar e tanques de combustível no Bahrein”.
Ainda em sua nota, o IRGC denunciou que Washington, com sua ação “precipitada”, mata deliberadamente crianças ao violar todos os seus compromissos.
“Na primeira fase da resposta punitiva contra (os Estados Unidos), as forças navais e aeroespaciais do IRGC, por meio de operações conjuntas de mísseis e drones, destruíram a infraestrutura e as instalações importantes das duas bases coloniais dos ocupantes norte-americanos em Arifjan e Ali al-Salem, no Kuwait, e em Juffair e Sheikh Isa, no Bahrein”, destacou.
A Guarda Revolucionária já havia alertado que se os Estado Unidos continuassem agredindo o Irã, a nação persa reforçaria suas contraofensivas lançando respostas militares contra os alvos inimigos na proporção de “pelo menos dois para um”.
Horas antes da retaliação iraniana, aeronaves norte-americanas realizaram uma série de ataques contra várias áreas do sul do Irã, atingindo a infraestrutura civil e tirando a vida de uma pessoa. Mais tarde, de acordo com a agência Fars, os ataques aéreos operados por Washington seguiram em curso em território persa e chegaram a atingir também a ponte ferroviária Aq Taqeh Khan, na província de Golestan, via que conecta rotas comerciais importantes entre Teerã e o maior parceiro comercial da nação persa: a China. Esta mesma rota também foi usada para embarques de carga para a Rússia durante o bloqueio norte-americano aos portos iranianos.
Já segundo as atualizações da Tasnim, os norte-americanos bombardearam “duas pontes ferroviárias ao longo da linha que leva à cidade iraniana de Mashhad”, no nordeste do país. Lembrando que Mashhad é onde o ex-líder supremo da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, é sepultado nesta quinta-feira, concluindo os seis dias de cortejos fúnebres em território nacional e em cidades iraquianas.
“Esse magnífico cortejo fúnebre encheu os arrogantes governantes [norte-americanos] de medo e os obrigou a reagir apressadamente a essa demonstração de força popular”, afirmou o IRGC, em comunicado.

IRGC responde EUA com ataques a instalações militares dos Estados Unidos na região do Oriente Médio
Tasnim
Governo iraniano denuncia ‘crime de guerra’
Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores do Irã denunciou as hostilidades norte-americanas em seu território como um “grave crime de guerra”, acusando Washington de violar o acordo provisório de trégua que abre caminho para o fim da guerra. Na quarta-feira (08/07), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o memorando de entendimento entre Washington e Teerã estava “encerrado”.
“No que me diz respeito, acabou”, disse. “Não quero mais negociar com eles, são escória. São pessoas doentes, são pessoas cruéis e violentas. Para mim, lidar com eles é uma perda de tempo. São mentirosos. Há algo de errado com eles. São malucos. Para mim, acabou”.
A declaração feita durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em Ancara, havia ocorrido após seu governo violar o tratado e instar as forças militares norte-americanas a lançarem bombas contra três navios mercantes que transitavam pelo Estreito de Ormuz.
























