Irã denuncia na ONU 'ataques deliberados' dos EUA contra instalações civis
Teerã pede ação das Nações Unidas e afirma que continuidade das agressões representa 'grave ameaça à segurança internacional'; pelo menos 50 pessoas foram mortas após escalada na região
Os ataques militares entre Estados Unidos e Irã continuaram neste sábado (18/07), com as forças norte-americanas ampliando sua ofensiva contra a infraestrutura militar e civil iraniana, e Teerã contra-atacando as bases militares do Pentágono nos países do Golfo Pérsico.
Em carta enviada às Nações Unidas, as autoridades iranianas acusaram Washington de bombardear deliberadamente instalações civis, incluindo sistemas de abastecimento de água, telecomunicações e transporte, vitais à população iraniana.
O representante do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, detalhou que os bombardeios atingiram “portos, redes de transporte, instalações de comunicação, centros logísticos, instalações de radar, sistemas de defesa costeira e outras infraestruturas indispensáveis à população civil e ao funcionamento da economia nacional”.
Segundo o diplomata, os Estados Unidos têm “total responsabilidade internacional por todas as mortes, ferimentos, danos à infraestrutura vital e danos ambientais” causados pela ofensiva. “A continuidade desses ataques armados ilegais representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais, à liberdade de navegação, à estabilidade regional e à segurança do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz”, afirma Iravani.
O Ministério da Saúde do Irã informou neste sábado (18/07) que pelo menos 50 pessoas foram mortas e mais de 500 ficaram feridas desde a escalada dos ataques, iniciada em 6 de julho.

Irã denuncia na ONU ‘ataques deliberados’ dos EUA contra instalações civis
Hossein / Agencia Tasnim
Ataques dos Estados Unidos
Neste sábado (18/07), o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou ter concluído uma nova rodada de operações contra “locais de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e capacidades marítimas” do Irã.
Segundo a Companhia de Água e Esgoto da província de Hormozgan os ataques norte-americanos destruíram uma estação de bombeamento e um transformador elétrico de uma usina de dessalinização no condado de Jask. Cerca de 10 mil moradores de 20 aldeias da região enfrentam “grave escassez de água”, relatou o diretor da empresa, Hamzeh Pour. “O fornecimento de água foi totalmente interrompido” após os “ataques terroristas” dos Estados Unidos, acrescentou.
Na mesma província, outros ataques atingiram 116 torres de telecomunicações, provocando interrupções nos serviços de telefonia fixa, telefonia móvel e internet em Bandar Abbas, Hajiabad e outras regiões do país. Já no Khuzistão, no sudoeste do Irã, 95 locais foram bombardeios, atingindo 12 cidades, nos últimos dez dias.
“O inimigo demonstrou sua criminalidade desenfreada”, avaliou o vice-governador para Assuntos de Segurança, Valiollah Hayati, à agência Tasnim. Na quinta-feira (16/07), bombas também foram lançadas nas proximidades de um hospital infantil especializado no tratamento de câncer, obrigando a evacuação às pressas de mais de 200 pacientes.
Contra-ataques iranianos
Em resposta à ofensiva norte-americana, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou neste sábado (18/07) uma nova série de ataques com mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos na Jordânia, no Bahrein e no Kuwait. Um dos principais alvos foi a base norte-americana de Al-Azraq, na Jordânia.
Segundo a IRGC, a base sofreu “um ataque devastador e simultâneo com mísseis e drones contra hangares de caças e uma grande área de estacionamento de aeronaves”. A operação teria destruído “completamente pelo menos dois caças norte-americanos” e provocado danos em outras três aeronaves militares. O governo jordaniano confirmou a interceptação de quatro drones que invadiram seu espaço aéreo.
A Guarda Revolucionária do Irã voltou a conclamar o Exército jordaniano a atacar as forças norte-americanas presentes no país, frisando que “as forças militares invasoras e infiéis são consideradas alvos legítimos” e que “o dever religioso e humanitário é eliminá-las por todos os meios necessários”.
No Kuwait, as forças iranianas também declararam ataques contra o cais de abastecimento de combustível militar utilizado pela frota norte-americana no porto de Al-Ahmadi e um centro de sinais e telecomunicações dos Estados Unidos. A Kuwait Petroleum Corporation confirmou que uma instalação considerada vital para o setor petrolífero foi atingida, provocando “perdas materiais significativas” e deixando feridos.
Autoridades kuwaitianas informaram dois outros ataques em instalações de geração de energia e de tratamento de água. Em razão da escalada militar, a empresa Kuwait Airways anunciou o remanejamento de voos, após o fechamento do espaço aéreo do país.
No Bahrein, os ataques atingiram a base aérea de Sheikh Isa, além de um centro de dados de inteligência norte-americano, operado pela empresa Batelco.























