Irã desarticula célula que preparava atentados no país e acusa Israel e EUA
Dois integrantes de grupo foram mortos e um terceiro foi preso pelas autoridades do país persa; também houve apreensão de armas, munições e explosivos
O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) anunciou nesta sexta-feira (14/08) a prisão de um integrante de uma célula que, segundo as autoridades iranianas, preparava ataques no sul da província de Sistão-Baluchistão, no sudeste do Irã. Dois integrantes do grupo haviam sido mortos em uma operação realizada em 6 de agosto.
Segundo a emissora Press TV, emissora estatal iraniana, a operação que levou à prisão envolveu a Base Quds das Forças Terrestres do IRGC e a Organização de Inteligência do IRGC na província. As forças iranianas afirmaram ter apreendido armas, munições, explosivos e equipamentos de comunicação.
As autoridades iranianas acusaram a célula de manter vínculos com Israel e os Estados Unidos e de receber apoio de países árabes do Golfo. Essas alegações, porém, foram apresentadas pelo próprio aparato de segurança iraniano e não foram acompanhadas, nas informações divulgadas, por evidências independentes que permitam confirmá-las.
A notícia sobre a prisão também foi divulgada pela agência IRNA, órgão oficial iraniano, e pela agência Tasnim, ligada ao IRGC. Uma publicação da agência ABNA, que também reproduziu a informação, afirma que os dois integrantes mortos em 6 de agosto pertenciam à mesma equipe cujo terceiro integrante foi preso oito dias depois.
O episódio ocorre em meio a uma sequência de operações das forças de segurança iranianas contra grupos armados no Sistão-Baluchistão. Na quinta-feira (13/8), a Tasnim informou que o Ministério da Inteligência do Irã havia desmantelado duas células que classificou como “terroristas-takfiris”.
Segundo a agência, quatro pessoas foram presas e duas morreram em confrontos separados. As autoridades afirmaram que os grupos tinham ligação com serviços de inteligência dos Estados Unidos e de Israel e planejavam ações de sabotagem contra estruturas econômicas e de infraestrutura.
Os dois episódios, contudo, não devem ser tratados como uma única operação. A informação divulgada nesta quinta-feira (13/08) partiu do Ministério da Inteligência e se refere a duas células; a prisão anunciada no dia seguinte foi atribuída ao IRGC e está relacionada, segundo as autoridades, a uma equipe cujos outros dois integrantes haviam sido mortos em 6 de agosto.
Região de conflito
O Sistão-Baluchistão, fronteiriço com Paquistão e Afeganistão, é uma das regiões mais instáveis do Irã. A província é majoritariamente habitada por balúchis, grupo étnico cuja população local é predominantemente sunita, em contraste com a maioria xiita do país. Organizações de direitos humanos e grupos oposicionistas denunciam há anos discriminação econômica, política e religiosa contra a população balúchi.
A região também abriga grupos armados que realizam ataques contra forças de segurança iranianas. Entre eles está o Jaish al-Adl (Exército da Justiça), organização sunita balúchi considerada terrorista pelos Estados Unidos.

Autoridades iranianas apreenderam armas, munição e explosivos com grupo acusado de planejar atentado no país
Reprodução vídeo / PressTV
De acordo com o Centro Nacional de Contraterrorismo norte-americano (NCTC), o grupo atua principalmente no Sistão-Baluchistão e nas áreas de maioria balúchi do Afeganistão e do Paquistão. Seus ataques têm como principais alvos forças de segurança iranianas, embora também tenham atingido autoridades governamentais e civis.
O NCTC registra, entre os episódios mais recentes atribuídos ao Jaish al-Adl, uma emboscada contra forças policiais iranianas em 13 de maio de 2026, que teria deixado pelo menos dez agentes mortos, além de um ataque contra uma patrulha policial em abril, com três mortos.
A violência na província não se restringe ao Jaish al-Adl. Em julho, dois integrantes das forças de segurança iranianas morreram em ataques separados na cidade de Iranshahr, segundo a organização de direitos humanos Hengaw, que monitora a região.
A instabilidade também está relacionada à posição geográfica da província. O Sistão-Baluchistão faz fronteira com o Paquistão e abriga rotas utilizadas para o tráfico de drogas e circulação de grupos armados. O conflito envolve ainda questões de identidade étnica e religiosa e a insatisfação de parte da população com as condições econômicas e a atuação das forças de segurança.
Acusações de envolvimento estrangeiro
A atribuição de responsabilidade a potências estrangeiras é recorrente nas declarações das autoridades iranianas sobre a violência no Sistão-Baluchistão. Teerã acusa regularmente os Estados Unidos e Israel de apoiarem ou utilizarem grupos armados contra a República Islâmica.
Há precedentes para que o governo iraniano faça esse tipo de acusação após ataques na província. Em julho de 2025, por exemplo, autoridades iranianas atribuíram a um grupo, classificado como ligado ao “sionismo”, um ataque contra um tribunal em Zahedan.






















