Irã descarta ‘acordo próximo’ com EUA, apesar do aumento de atividades diplomáticas
Em meio a reuniões com mediadores paquistaneses em Teerã, chancelaria iraniana volta a citar 'desconfiança' e 'diferenças profundas' com Washington que impedem avanço nas negociações
O Chefe do Estado-Maior do Exército paquistanês, Marechal de Campo Asim Munir, mediador oficial das negociações de paz, realizou uma série de encontros neste sábado (23/05), em Teerã, com altos funcionários iranianos, incluindo o presidente Masoud Pezeshkian, o presidente do Parlamento Mohammad Baqer Qalibaf e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, de acordo com a agência Tasnim. As reuniões abordaram o fortalecimento das relações bilaterais entre Irã e Paquistão, bem como desenvolvimentos regionais.
A reunião com o chanceler iraniano, em específico, seguiu uma rodada anterior de discussões realizadas na sexta-feira (22/05). No encontro da noite anterior, ambos os lados opinaram sobre as mais recentes iniciativas diplomáticas voltadas a evitar uma escalada regional, como também sobre os esforços para encerrar a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel.
Ao contrário da narrativa norte-americana, que fala em “leve progresso” nas negociações, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Bagaei, declarou na sexta-feira que não há garantia de que um acordo com Washington esteja próximo, apesar do aumento das atividades diplomáticas e das especulações sobre o fim da guerra. “Não podemos necessariamente dizer que chegamos a um ponto em que o acordo esteja próximo”, disse.
O representante da chancelaria iraniana observou que as visitas de altos funcionários paquistaneses no país persa apontam para um momento decisivo. No entanto, apontou que “as diferenças entre Irã e Estados Unidos são profundas e extensas, especialmente após os crimes que eles cometeram nos últimos dois ou três meses”.
O porta-voz também confirmou a presença de uma delegação do Catar em Teerã para conversar com o chanceler Araghchi. De acordo com Bagaei, os esforços regionais e internacionais são necessários para evitar uma escalada maior no Oriente Médio.
O objetivo central das negociações é a cessação total da agressão em todas as frentes, incluindo o Líbano, o Estreito de Ormuz e o bloqueio ilegal promovido pelos Estados Unidos contra navios e portos iranianos. Os pedidos da nação persa incluem também o levantamento das sanções, a liberação dos ativos iranianos bloqueados no exterior e a compensação pelos danos de guerra.
O governo iraniano descartou a possibilidade das questões nucleares mais detalhadas serem discutidas neste primeiro estágio. Segundo Bagaei, a prioridade imediata do Irã é acabar com as hostilidades, avaliando que disputas nucleares neste momento não trariam resultados. Reafirmou ainda a posição iraniana sobre seus direitos nucleares e o urânio altamente enriquecido, material que não será permitido sair do país.

O Chefe do Estado-Maior do Exército paquistanês, Marechal de Campo Asim Munir, mediador oficial das negociações de paz, realizou uma série de encontros em Teerã com altos funcionários iranianos
Tasnim
Araghchi denuncia as exigências dos EUA
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, denunciou as declarações contraditórias e exigências excessivas dos Estados Unidos que dificultam o avanço das negociações mediadas pelo Paquistão. Na sexta-feira, o chanceler falou por telefone com o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, sobre a situação regional e a diplomacia com Washington.
Araghchi enfatizou que, apesar da profunda desconfiança dos Estados Unidos, o governo iraniano conduziu o processo diplomático das negociações com uma abordagem responsável e com total seriedade, buscando alcançar um resultado justo.
Durante a conversa, as autoridades também avaliaram os desenvolvimentos internacionais principalmente no Golfo Pérsico e no Mar de Omã. Além disso, discutiram as questões abordadas na Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) realizada em Nova York. Guterres enfatizou a necessidade de respeitar os princípios da Carta da ONU e de se abster do uso da força contra a soberania e integridade territorial dos países.
(*) Com Tasnim e Telesur
























