Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Teerã condicionou a reabertura do Estreito de Ormuz ao atendimento de uma série de demandas dirigidas a Washington, anunciadas neste sábado (08/08). Por meio da via marítima passa um quinto do petróleo comercializado no mundo.

A informação, atribuída ao secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, chegou ao público por meio de comunicado da imprensa estatal do Irã.

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Entre os pontos listados por Teerã estão o fim do bloqueio naval e das sanções impostas pelos norte-americanos, a saída de tropas dos EUA de áreas próximas ao território iraniano, indenizações pelos danos da guerra, o descongelamento de recursos financeiros do país e a interrupção tanto das ofensivas contra aliados regionais do Irã quanto das ameaças dirigidas ao próprio Estado iraniano.

A postura de Washington até aqui indica pouca margem para concessões nesses termos. Dias antes, Trump havia colocado o dilema em campo binário de “acordo” ou “rendição total”, reiterando que a suspensão do cerco naval segue atrelada a uma negociação formal com os iranianos.

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Mais cedo, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos de manterem uma “mentalidade genocida” oito décadas após os ataques nucleares contra Hiroshima e Nagasaki, no Japão.

Também já havia sinalização de que os ativos bloqueados só seriam liberados caso Teerã abrisse mão de seu estoque de urânio enriquecido.

Horas antes da divulgação da lista, o chanceler iraniano Abbas Araqchi chegou a declarar que seu país e o Omã estavam “muito perto” de fechar um entendimento para uma nova rota de navegação pelo Estreito.

Na sexta-feira (07/08), uma fonte do governo norte-americano havia dito à Reuters que as negociações mediadas por Omã avançavam, e que o levantamento do bloqueio aos portos iranianos ocorreria assim que um acerto sobre o tráfego comercial fosse formalizado.

As novas condições, no entanto, esfriam a perspectiva do mercado de uma reabertura rápida do canal, que opera de forma restrita desde fevereiro, quando a guerra começou.

A limitação na circulação de navios pelo Estreito segue como um dos principais fatores de pressão sobre o preço internacional do petróleo, o que tem gerado desgastes internos para a administração Trump.

Maioria de 88% avalia guerra com o Irã como fracasso

Enquanto a diplomacia em torno do Estreito de Ormuz ainda não produziu resultados definitivos, uma pesquisa da Universidade Marquette mostra que a rejeição da população norte-americana ao conflito com o Irã se mantém elevada.

Segundo o levantamento, 88% dos entrevistados consideram que Washington não atingiu seus objetivos na guerra, e 75% avaliam que o confronto não valeu os custos impostos ao país. Apenas 12% acham que os EUA alcançaram suas metas, ante 21% em abril.

O desgaste ocorre em contraste com o discurso de campanha de Trump, eleito em 2024 sob a promessa de manter os EUA fora de novos conflitos armados.

“Não vou começar uma guerra, vou acabar com as guerras”, disse Trump em seu discurso de vitória. Questionado em junho sobre a contradição entre essa promessa e o envolvimento militar dos EUA no Irã, o presidente negou o compromisso e afirmou que sempre se opôs apenas a “guerras intermináveis”.