Sábado, 15 de agosto de 2026
APOIE
Menu

O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira (20/07) que continua recebendo mensagens dos Estados Unidos por meio de mediadores, apesar da escalada entre os dois países. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, em entrevista coletiva  em Teerã.

Segundo Baghaei, o canal diplomático permanece ativo, ainda que de forma indireta. “Fomos informados por mediadores. Recebemos mensagens, sem entrar em detalhes, mas o principal é que o aparato diplomático tem estado ativo nos últimos dias e ideias nos foram transmitidas por certos mediadores”, afirmou.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Siga!
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize!

O porta-voz responsabilizou Washington pela escalada do conflito e reiterou que o Irã “não tem hostilidade em relação aos países da região“, mas espera que governos vizinhos impeçam que seus territórios sejam utilizados para lançar ataques contra o país. “Enquanto esses crimes continuarem, nossas Forças Armadas responderão a eles”, acrescentou.

Horas antes, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, havia afirmado que Washington ainda está aberto a negociações. “Vamos continuar respondendo. Se a porta se abrir para a diplomacia – se aqueles que querem fazer algo produtivo para o Irã vencerem e assumirem o controle desse sistema, ou o controle das negociações – isso será um desenvolvimento muito positivo”, declarou.

Mais lidas

Após as declarações, os preços do petróleo recuaram. O barril para entrega em setembro chegou a subir quase 4%, alcançando US$ 91,42, mas posteriormente recuou para cerca de US$ 90,20.

‘Vitória estratégica’

Baghaei também reagiu às reiteradas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de realizar uma invasão terrestre para tomar a ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã, em Bushehr. Segundo ele, os Washington enfrentará as “consequências de qualquer aventura” visando ocupar o território, acrescentando que os líderes militares estão “contando os minutos para receber” as tropas norte-americanas.

Já o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou à agência estatal IRNA que Teerã somente encerrará a guerra quando obtiver “vantagem no campo de batalha”. Segundo ele, “o fim da guerra é possível tanto por meio de uma vitória militar absoluta quanto por meio de negociações. O momento certo para negociar é precisamente quando se alcança uma vitória estratégica e de campo confiável na frente militar”.

Irã diz manter contatos diplomáticos com EUA por mediadores; ataques continuam
IRNA

Terceira baixa norte-americana

As Forças Armadas dos Estados Unidos confirmaram que um militar foi morto no sábado (18/07) no norte do Iraque, região onde mantêm bases militares, durante a detonação de um artefato explosivo de um drone iraniano. É a terceira baixa norte-americana nos últimos dias. Na sexta-feira (17/07), dois militares foram mortos em um ataque do Irã a uma base aérea jordaniana; um terceiro oficial encontra-se desaparecido.

Ao retornar a Washington, após acompanhar a final da Copa do Mundo em Nova Jersey, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a ofensiva desta noite foi realizada em homenagem aos militares. “Nós os atacamos com muita força novamente esta noite, e fizemos isso em homenagem a, provavelmente três, provavelmente três grandes patriotas”, declarou. Questionado sobre as mortes, Trump afirmou que os soldados lutavam para impedir que “o Irã tenha uma arma nuclear”.

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM) informou ter concluído, nesta segunda-feira (20/07), a nona onda de bombardeios contra o Irã. Segundo o comando militar, os ataques tiveram como alvo centros de comando militar, instalações de defesa aérea, sistemas de vigilância costeira, capacidades marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones e redes de comunicação.

A mídia iraniana informou ataques contra uma área da cidade de Khormoj, no sudoeste do país; em Tabriz, no noroeste iraniano e nos arredores de Bushehr, onde está localizada uma usina nuclear civil.

Ataques do Irã

Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) informou que dois petroleiros foram interceptados no Estreito de Ormuz após tentarem atravessar a passagem marítima.

A corporação iraniana também informou o lançamento de mísseis balísticos contra aeronaves militares norte-americanas no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, alegando danos a aviões de transporte C-17 e aeronaves de patrulha P-8. Segundo o comunicado, 20 hangares na Base Aérea de Muwaffaq Salti, em Azraq, foram destruídos.

Mísseis iranianos também foram lançados contra bases militares no Bahrein, que abriga a Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos; e no Kuwait. Segundo a agência Mehr, um drone MQ-9 foi abatido sobre a cidade de Eslamabad-e Gharb, na província de Kermanshah, por um sistema de defesa aérea da força aeroespacial da Guarda Revolucionária.