Terça-feira, 23 de junho de 2026
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O governo do Irã condenou “veementemente” os ataques realizados pelos Estados Unidos na madrugada desta quinta-feira (11/06). Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano responsabilizou Washington pelas consequências da escalada militar, afirmando que a ofensiva tornou “o cessar-fogo de 8 de abril de 2026 praticamente sem efeito”.

A chancelaria iraniana enfatizou “que a responsabilidade pelas consequências extremamente perigosas resultantes dessa incitação à guerra recai sobre o governo dos Estados Unidos”. Disse ainda que os ataques “constituem uma grave violação da Carta das Nações Unidas e das normas fundamentais do direito internacional relativas ao respeito à soberania nacional e à integridade territorial dos Estados”.

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Teerã acusou o uso dos territórios dos países da região pelas forças norte-americanas para executar operações agressivas, colocando “esses países ao lado dos agressores”. A chancelaria iraniana reiterou “veementemente o compromisso legal e moral de todas nações da região em impedir que o exército terrorista dos EUA utilize seu território, instalações e recursos” para a escalada do conflito.

O Irã enfatizou sua determinação de “neutralizar a origem e a fonte dos ataques”, citando o “exercício do direito inerente de autodefesa contra a agressão militar dos EUA e seus cúmplices”.

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Nações Unidas

A chancelaria iraniana também cobrou a responsabilidade dos Estados-membros das Nações Unidas “em se opor explicitamente à flagrante violação dos princípios e propósitos fundamentais da Carta da ONU pelos EUA e pelo regime sionista”.

“Sem dúvida, o silêncio e a inação diante da ilegalidade e da intimidação dos EUA e do regime sionista levarão o mundo ainda mais para o caos e a insegurança”, diz o texto.

Irã diz que ataques dos EUA tornaram cessar-fogo ‘sem efeito’
Tasnim

Em outro trecho, o Ministério cobrou o secretário-geral da organização, afirmando que “emitir declarações genéricas e vagas, numa situação em que não há a menor dúvida sobre a natureza agressiva das ações dos Estados Unidos e do regime sionista, não é considerado uma ação responsável”.

Segundo Teerã, essa postura “apenas encorajará as partes agressoras a continuarem infringindo os princípios e regras fundamentais da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”.

Países condenam escalada

A Rússia pediu moderação e a retomada das negociações. “Apelamos a todas as partes neste conflito para que exerçam moderação e retornem à mesa de negociações”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. Segundo ele, a escalada pode gerar “consequências negativas para a situação na região e para a economia global”.

A China também manifestou preocupação. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, declarou que Pequim “insta veementemente as partes envolvidas a cessarem imediatamente as operações militares, retomarem o diálogo e a negociação, responderem aos esforços de mediação dos países relevantes e alcançarem um cessar-fogo abrangente e duradouro o mais breve possível”.

O Catar, por sua vez, condenou a retaliação iraniana realizada durante a madrugada contra Jordânia, Kuwait e Bahrein, classificando-a como uma “violação flagrante da soberania desses Estados e uma violação descarada das normas do direito internacional”. Doha reiterou ainda sua “total solidariedade” aos três países, enfatizando “a necessidade de poupar a região das consequências desses ataques injustificados e de trabalhar para reduzir a tensão, a fim de restaurar a segurança e a estabilidade regional e internacional”.

A Arábia Saudita também condenou os ataques retaliatórios, afirmando que eles servem apenas para “exacerbar as tensões na região”. Em nota, Riad defendeu a “desescalada e a prevenção de novas escaladas” e pediu que “a sabedoria prevaleça, retomando os esforços diplomáticos e as negociações construtivas” conduzidos por Catar e Paquistão.

Ataques e contra-ataques

A escalada desta quinta-feira (11/06) começou após uma ofensiva dos Estados Unidos contra alvos militares iranianos em diversas localidades, incluindo Bandar Abbas, Minab, Sirik, as ilhas de Kish e Qeshm, além da cidade de Karaj, próxima a Teerã.

Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou ataques contra 18 alvos militares norte-americanos em bases localizadas no Kuwait e no Bahrein, além de ações contra a Quinta Frota dos EUA. Segundo a mídia estatal iraniana, também foram lançados 12 mísseis balísticos contra a base aérea de Azraq, na Jordânia.

As autoridades do Kuwait e do Bahrein informaram ter interceptado alvos aéreos hostis durante a madrugada. O Exército jordaniano afirmou ter destruído 20 mísseis lançados pelo Irã. Fragmentos caíram em diferentes áreas do país, sem causar vítimas ou danos materiais significativos.