Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que Washington irá anunciar nesta segunda-feira (24/08) uma nova e ampla ofensiva de sanções contra o Irã. Segundo ele, trata-se da “maior ofensiva financeira já orquestrada contra um adversário”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, respondeu às ameaças e disse que “o Irã não aceitará que o agressor dite as condições para o fim da guerra”. Segundo ele, Teerã “não iniciou nenhuma guerra e apenas defendeu sua soberania e integridade territorial; portanto, a parte agressora deve ser responsabilizada por seus atos”.

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Baghaei afirmou, ainda, que “todos os pilares do sistema estão unidos na defesa do país”, acrescentando que “a soberania da República Islâmica do Irã, em todos os níveis e sem qualquer dúvida, permanece firme na proteção da integridade nacional e não se submeterá às ambições desenfreadas dos agressores”.

Em artigo publicado no Financial Times, Bessent disse que esta segunda-feira será um “Dia D econômico” para o Irã. Segundo ele, as medidas atingirão não apenas o Irã, mas países, empresas e instituições financeiras que continuarem mantendo relações econômicas com o país persa.

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Agência Tasnim/ Masoud Shahrestani

Em meio às ameaças, o rial iraniano caiu para uma mínima histórica no mercado paralelo, ultrapassando a marca de 2 milhões de riais por dólar. Já os preços do petróleo caíram mais de um dólar por barril nesta segunda-feira (24/08), em uma sessão marcada pela realização de lucros antes do anúncio de novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã. O petróleo Brent recuou 1,6%, para US$ 92,90 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) caiu 2%, para US$ 85,32.

Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, também respondeu às ameaças. Ele afirmou que o país poderá impedir as exportações de petróleo pelo Golfo Pérsico caso os Estados Unidos e seus aliados ampliem a pressão econômica.

“Se a guerra econômica continuar, nenhuma gota de petróleo será exportada, nem pelo Estreito de Ormuz nem de qualquer lugar no Golfo Pérsico”, declarou Rezaei. Ele também afirmou que Teerã poderá considerar a participação ou o apoio de outros países à ofensiva econômica norte-americana como um ato de guerra. “Atacaremos os interesses desse país. Por quê? Porque ele se aliou aos norte-americanos”, afirmou.

Estreito de Ormuz

Neste domingo (23/08), a Autoridade Iraniana para o Controle da Navegação no Estreito de Ormuz (PGSA) anunciou que poderá impor restrições, multas, detenções e até confiscar embarcações que descumprirem as normas estabelecidas por Teerã para atravessar a hidrovia.

A PGSA orientou armadores que operam rotas com origem ou destino no Golfo Pérsico a consultar uma lista de embarcações consideradas infratoras. Segundo a autoridade, navios que cooperarem com embarcações já incluídas no registro também poderão passar a integrar a relação de infratores.

As novas regras fazem parte de um processo de ampliação do controle iraniano sobre Ormuz. No início de agosto, a Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano aprovou um projeto de lei para endurecer as normas de trânsito na região, estabelecendo que nenhuma embarcação poderá atravessar a hidrovia sem autorização de Teerã.

Via diplomática

Enquanto isso, o chefe do Exército paquistanês, marechal Asim Munir, chegou à Teerã para tentar retomar as conversas diplomáticas entre Teerã e Washington.

Segundo a Reuters, com base em duas fontes paquistanesas, Munir e o presidente norte-americano, Donald Trump, conversaram na semana passada. O republicano teria pedido ao marechal paquistanês que utilizasse sua influência para convencer o Irã a retornar às negociações. Munir deverá se reunir com autoridades próximas ao aiatolá Mojtaba Khamenei.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Al-Busaidi, também deverá viajar à Teerã para discutir o Estreito de Ormuz e outros desdobramentos da crise na região.