Irã diz que não aceitará imposições dos EUA e rechaça ameaças de novas sanções
Secretário do Tesouro, Scott Bessent, promete ‘maior ofensiva financeira já orquestrada contra adversários’; Paquistão busca canais diplomáticos
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que Washington irá anunciar nesta segunda-feira (24/08) uma nova e ampla ofensiva de sanções contra o Irã. Segundo ele, trata-se da “maior ofensiva financeira já orquestrada contra um adversário”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, respondeu às ameaças e disse que “o Irã não aceitará que o agressor dite as condições para o fim da guerra”. Segundo ele, Teerã “não iniciou nenhuma guerra e apenas defendeu sua soberania e integridade territorial; portanto, a parte agressora deve ser responsabilizada por seus atos”.
Baghaei afirmou, ainda, que “todos os pilares do sistema estão unidos na defesa do país”, acrescentando que “a soberania da República Islâmica do Irã, em todos os níveis e sem qualquer dúvida, permanece firme na proteção da integridade nacional e não se submeterá às ambições desenfreadas dos agressores”.
Em artigo publicado no Financial Times, Bessent disse que esta segunda-feira será um “Dia D econômico” para o Irã. Segundo ele, as medidas atingirão não apenas o Irã, mas países, empresas e instituições financeiras que continuarem mantendo relações econômicas com o país persa.

Irã diz que não aceitará imposições dos EUA e rechaça ameaças de novas sanções
Agência Tasnim/ Masoud Shahrestani
Em meio às ameaças, o rial iraniano caiu para uma mínima histórica no mercado paralelo, ultrapassando a marca de 2 milhões de riais por dólar. Já os preços do petróleo caíram mais de um dólar por barril nesta segunda-feira (24/08), em uma sessão marcada pela realização de lucros antes do anúncio de novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã. O petróleo Brent recuou 1,6%, para US$ 92,90 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) caiu 2%, para US$ 85,32.
Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, também respondeu às ameaças. Ele afirmou que o país poderá impedir as exportações de petróleo pelo Golfo Pérsico caso os Estados Unidos e seus aliados ampliem a pressão econômica.
“Se a guerra econômica continuar, nenhuma gota de petróleo será exportada, nem pelo Estreito de Ormuz nem de qualquer lugar no Golfo Pérsico”, declarou Rezaei. Ele também afirmou que Teerã poderá considerar a participação ou o apoio de outros países à ofensiva econômica norte-americana como um ato de guerra. “Atacaremos os interesses desse país. Por quê? Porque ele se aliou aos norte-americanos”, afirmou.
Estreito de Ormuz
Neste domingo (23/08), a Autoridade Iraniana para o Controle da Navegação no Estreito de Ormuz (PGSA) anunciou que poderá impor restrições, multas, detenções e até confiscar embarcações que descumprirem as normas estabelecidas por Teerã para atravessar a hidrovia.
A PGSA orientou armadores que operam rotas com origem ou destino no Golfo Pérsico a consultar uma lista de embarcações consideradas infratoras. Segundo a autoridade, navios que cooperarem com embarcações já incluídas no registro também poderão passar a integrar a relação de infratores.
As novas regras fazem parte de um processo de ampliação do controle iraniano sobre Ormuz. No início de agosto, a Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano aprovou um projeto de lei para endurecer as normas de trânsito na região, estabelecendo que nenhuma embarcação poderá atravessar a hidrovia sem autorização de Teerã.
Via diplomática
Enquanto isso, o chefe do Exército paquistanês, marechal Asim Munir, chegou à Teerã para tentar retomar as conversas diplomáticas entre Teerã e Washington.
Segundo a Reuters, com base em duas fontes paquistanesas, Munir e o presidente norte-americano, Donald Trump, conversaram na semana passada. O republicano teria pedido ao marechal paquistanês que utilizasse sua influência para convencer o Irã a retornar às negociações. Munir deverá se reunir com autoridades próximas ao aiatolá Mojtaba Khamenei.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Al-Busaidi, também deverá viajar à Teerã para discutir o Estreito de Ormuz e outros desdobramentos da crise na região.






















