Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Em meio às tensões envolvendo o Irã e a Coreia do Sul mediante as especulações sobre uma possível participação militar do país asiático em apoio aos Estados Unidos na guerra contra o país persa, a chancelaria sul-coreana informou nesta sexta-feira (11/09) que, por iniciativa do ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi, a autoridade iraniana realizou uma ligação telefônica com seu homólogo Cho Hyun para discutir “os recentes acontecimentos no Oriente Médio, as relações Coreia-Irã e a proteção dos estrangeiros”.

Segundo o comunicado de Seul, ambas as partes concordaram, por ora, em continuar se comunicando referente a assuntos bilaterais e multilaterais, incluindo sobre os desdobramentos do conflito regional e as relações particulares entre as duas nações.

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Na ligação, o ministro Cho reiterou a necessidade de restaurar a paz e estabilidade no Oriente Médio, destacando “profunda preocupação” com a continuidade da guerra e suas implicações. Além disso, enfatizou a posição do governo de Lee Jae Myung de que a travessia pelo Estreito de Ormuz deve ser livre e segura para todas as embarcações, incluindo as sul-coreanas, ao reforçar que o país “continuará participando de esforços internacionais para garantir a passagem” dentro da via marítima.

Ministros das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e da Coreia do Sul, Cho Hyun, realizaram a primeira conversa telefônica após especulações de possível envio de forças navais e aéreas sul-coreanas a Ormuz
Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul
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Tratou-se do primeiro diálogo de alto nível entre Teerã e Seul após a mídia sul-coreana levantar informações sugerindo uma possível adesão do país asiático na guerra perpetrada pelos Estados Unidos e Israel. De acordo com os relatos iniciais das emissoras JTBC e SBS, o destacamento consistiria em “aeronaves de patrulha marítima P-8 Poseidon, navios de apoio logístico da Marinha e unidades de desativação de explosivos (EODs)”. Além disso, a Casa Azul, segundo a imprensa, estava articulando uma proposta a ser apresentada à Assembleia Nacional para aprovação neste mês.

O Irã tem se oposto fortemente a qualquer envolvimento militar estrangeiro no conflito. No início da semana, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, havia alertado “sérias consequências” para Seul. “Apoiar diretamente o agressor não pode ser considerado nada além de um ato de agressão, e isso levará a sérias consequências”, escreveu, na ocasião. A mídia iraniana, por sua vez, destacou que “se a Coreia do Sul insistir em ações hostis e intervenções injustificadas, enfrentará retaliação das forças iranianas”.

Em meio à crescente pressão dos Estados Unidos sobre Ormuz e aos setores que se opõem à inserção da Coreia do Sul na guerra – incluindo parlamentares da própria sigla governista, o Partido Democrático da Coreia (DPK) –, o presidente Lee declarou, sem citar Washington, nesta sexta-feira, que “a ordem internacional está passando por um túnel de caos extremo”.

“Neste momento, precisamos urgentemente de sabedoria para fortalecer nossa força, ampliar horizontes diplomáticos e resolver várias questões por meio da estreita cooperação com a comunidade internacional”, disse. “Devemos traçar esse caminho silenciosamente com o povo e os interesses nacionais em mente, pensando em um amanhã melhor. Peço ao público que se una a nós”.

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