Terça-feira, 21 de julho de 2026
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O Irã e Estados Unidos assinaram o acordo de paz que encerra a guerra iniciada em 28 de fevereiro por Washington e Tel Aviv contra a República Islâmica. O memorando de entendimento foi assinado separadamente nesta quarta-feira (17/06) e já se encontra em vigor.

O texto estabelece 14 medidas imediatas para interromper as hostilidades em diversas frentes, incluindo o Líbano. Agora, as negociações entre Washington e Teerã entram em sua segunda fase.

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“O texto do memorando de entendimento de Islamabad foi finalizado com a assinatura dos presidentes. Agora é hora de testar a implementação desse acordo”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghai.

Segundo ele, a cerimônia presencial prevista para esta sexta-feira (19/06), na Suíça, agora “não faz sentido”. Ele também afirmou que o governo iraniano acompanhará a implementação do acordo pelos Estados Unidos “sem qualquer leniência”, advertindo que o país não “cumprirá” seus compromissos caso Washington “evadir suas obrigações”.

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A agência IRNA divulgou a imagem da assinatura eletrônica do acordo pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian. Em mensagem nas redes sociais, o líder iraniano classificou o acordo como “histórico”.

“Este é um documento histórico e uma mensagem de um Irã poderoso: a paz será alcançada sob a sombra do respeito mútuo. A República Islâmica do Irã sempre se manteve comprometida e firme com a paz mundial, preservando sua dignidade e independência, bem como com o progresso e a cooperação regional”, afirmou.

Irã e EUA assinam acordo de paz; medidas já estão em vigor
Ahmad Moeini Jam / Irna

A Casa Branca postou nas redes sociais um vídeo do presidente norte-americano, Donald Trump, assinando o  acordo de paz durante um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes.

Na imagem, o mandatário dos Estados Unidos afirma: “isso não foi fácil”, diz. “Posso te garantir isso”, acrescenta, ao assinar o documento. Trump compartilhou o vídeo em sua Truth Social, sem comentários.

Já o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o país retomará as ações militares caso o Irã não cumpra seus compromissos. “O presidente salientou que estaremos preparados para retomar as negociações se, dentro do cronograma estabelecido, o Irã não cumprir o que prometeu. Se o Irã não cumprir, então seremos mais do que capazes de reimpor um bloqueio intransponível”, afirmou.

Acordo está em vigor

O premiê do Paquistão, Shehbaz Sharif afirmou que o acordo entrou em vigor com “efeito imediato”. Ele afirmou que Teerã irá reabrir “imediatamente” o Estreito de Ormuz e que os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos.

Entre os 14 pontos do acordo, está previsto o “fim imediato” dos confrontos militares em todas as frentes relacionadas à guerra, incluindo as agressões israelenses contra o Líbano. O país é citado três vezes no primeiro parágrafo do memorando, que afirma:

“Os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã e seus aliados na atual guerra, ao assinarem este Memorando de Entendimento, declaram o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano, e comprometem-se, a partir de agora, a não iniciar qualquer guerra ou operação militar uns contra os outros, a abster-se da ameaça ou do uso da força uns contra os outros e a garantir a integridade territorial e a soberania do Líbano. O acordo final confirmará o término permanente da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano, e as demais disposições deste parágrafo”.

Em discurso televisionado, o líder do Hezbollah, Naim Qasem, classificou o acordo como uma “grande vitória” para o Irã e agradeceu a Teerã por ter insistido na inclusão da frente libanesa nas negociações.

Estreito de Ormuz

Pelo acordo, o Irã se compromete a garantir, pelos próximos 60 dias, a “passagem segura e gratuita de embarcações comerciais” entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã.

O texto estabelece que o tráfego marítimo terá “início imediato”, apontando que a normalização da travessia ainda requer a superação de entraves técnicos e militares, além da remoção das minas. Esse processo será conduzido pelo Irã nos próximos 30 dias.

O memorando também determina que Teerã inicie conversas com o Sultanato de Omã e outros países banhados pelo Golfo Pérsico para definir a futura administração do Estreito de Ormuz, em conformidade com o direito internacional e com os “direitos soberanos dos Estados costeiros do Estreito de Ormuz”.

US$ 300 bilhões

Washington e seus parceiros regionais assumiram o compromisso de elaborar um plano de reconstrução e desenvolvimento do Irã com orçamento mínimo de US$ 300 bilhões. Segundo o documento, deverá ser desenvolvido um “plano definitivo e mutuamente acordado” para a recuperação econômica iraniana.

Os Estados Unidos se comprometeram a “extinguir todos os tipos de sanções contra a República Islâmica do Irã”, incluindo medidas unilaterais, sanções primárias e secundárias e aquelas relacionadas às resoluções internacionais sobre o programa nuclear iraniano.

Na área nuclear, o Irã reafirmou que “não adquirirá nem desenvolverá armas nucleares”. Washington e Teerã também concordaram em negociar o destino dos estoques de urânio enriquecido iraniano. O documento estabelece como metodologia mínima a “diluição no local, sob a supervisão da AIEA”, além de prever novas discussões sobre o enriquecimento de urânio e outras necessidades nucleares civis do país persa.

O memorando prevê ainda medidas de alívio econômico imediato. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos deverá emitir isenções para a exportação de petróleo bruto iraniano, produtos derivados e todos os serviços associados, incluindo transações bancárias, seguros e transporte.

Além disso, Washington se comprometeu a disponibilizar “integralmente para uso os fundos e ativos congelados ou restritos da República Islâmica do Irã”, emitindo todas as licenças e autorizações necessárias para a liberação dos recursos.