Irã envia proposta para encerrar guerra que inclui retirada de bloqueio naval dos EUA em Ormuz, diz site
Segundo Axios, Teerã apresentou proposta com condição de que questão nuclear seja abordada em etapa posterior; Casa Branca diz que pauta 'estava sendo discutida' por equipe de Trump
A mais recente proposta apresentada pelo governo do Irã aos Estados Unidos, sob mediação do Paquistão, está atualmente em discussão por altos funcionários norte-americanos, confirmou nesta segunda-feira (27/04) a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
“Posso confirmar que o presidente [Donald Trump] se reuniu com sua equipe de segurança nacional esta manhã. A reunião pode estar em andamento, ou talvez não. A proposta estava sendo discutida”, disse a representante à imprensa.
O governo do Irã havia apresentado uma nova proposta aos Estados Unidos para estender o cessar-fogo ou encerrar a guerra e retirar o bloqueio naval no Estreito de Ormuz, com a condição de que as negociações sobre o programa nuclear fossem realizadas em uma instância posterior. A informação foi publicada pelo site Axios no domingo (26/04), citando fontes familiarizadas sobre o assunto.
Segundo o veículo norte-americano, a proposta teve como foco “a resolução da crise relacionada com o Estreito e o bloqueio [naval] dos Estados Unidos” na região. Disse ainda que “o cessar-fogo poderia ser prorrogado por um período mais longo” ou “as partes concordariam com um fim definitivo da guerra”.
Segundo as fontes, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, teria apresentado o plano durante visita a Islamabad no fim de semana e, por lá, teria informado os mediadores do Paquistão, Egito, Turquia e Catar que a liderança iraniana não havia alcançado um consenso interno sobre como responder às demandas nucleares de Washington, que exigem o desmantelamento do programa nuclear e a entrega de todo o urânio enriquecido.
A proposta tem como foco principal a reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo o plano, as negociações nucleares só começariam quando o bloqueio imposto pelos Estados Unidos fosse suspenso.

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que país persa deve salvaguardar os interesses nacionais nas próximas negociações com os Estados Unidos
Wikimedia Commons/Mohammad Hassanzadeh
Ao mesmo tempo, Araghchi disse na segunda-feira, durante sua visita a São Petersburgo, na Rússia, que o Irã deve salvaguardar os interesses nacionais nas próximas negociações com os Estados Unidos. Em entrevista à TV russa Vesti, o chanceler iraniano confirmou que Washington propôs um novo encontro entre delegações e que o país persa esta “avaliando” o pedido.
“A abordagem norte-americana fez com que a rodada de negociações, apesar de alguns avanços, não atingisse seus objetivos devido às exigências excessivas [americanas]”, afirmou Araghchi sobre as tratativas fracassadas.
Segundo relatos da mídia local, Teerã propôs um quadro de três etapas. A primeira fase seria acabar com as hostilidades e estabelecer garantias vinculativas contra novos ataques ao Irã e ao Líbano. Em seguida, estabelecer um novo regime jurídico para a gestão do Estreito de Ormuz em coordenação com Omã. Na terceira etapa, abordar a questão nuclear.
A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, teve início em 28 de fevereiro, em um ataque que atingiu diversas localidades civis e matou o então líder supremo Ali Khamenei. Em 2 de março, Teerã fechou o Ormuz, rota crucial para o escoamento da produção de petróleo e gás do Golfo Pérsico.
A via marítima chegou a ser reaberta pelos iranianos em 17 de abril, após a aprovação de um cessar-fogo no Líbano. No entanto, voltou a ser fechada no dia seguinte por conta da recusa do governo Trump de desfazer o bloqueio norte-americano aos portos do país persa.
(*) Com Ansa e Telesur























