Terça-feira, 30 de junho de 2026
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O presidente do Parlamento iraniano, Muhammad Bagher Ghalibaf, anunciou a assinatura de um acordo, durante as negociações com os EUA na Suíça, para a liberação dos US$ 12 bilhões (R$ 61,8 bilhões) em ativos iranianos congelados, divididos em duas parcelas de US$ 6 bilhões (R$ 30,9 bilhões).

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos também autorizou na segunda-feira (22/06) uma isenção temporária de 60 dias, válida até a meia noite do dia 21 de agosto de 2026 (horário de Washington), suspendendo as sanções e permitindo a produção, entrega, venda e transporte de petróleo bruto e produtos petroquímicos iranianos, após intensas negociações bilaterais mediadas por Islamabad.

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Essas medidas práticas em benefício do povo iraniano são resultado da firmeza de Teerã em resistir à agressão israelense e norte-americana e, posteriormente, em negociar com os EUA um memorando de entendimento que levou à paz, afirmou Ghalibaf.

A delegação iraniana retornou a Teerã após 18 horas de intenso diálogo em solo suíço, com o encerramento da primeira rodada de negociações coincidindo com a emissão da licença geral dos EUA.

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O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, explicou que a medida abrange todas as operações necessárias para o reprocessamento, venda, comercialização, transporte e descarregamento de petróleo bruto, incluindo transações com embarcações previamente autorizadas, bem como serviços associados, como serviços bancários e de seguros.

Presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, anunciou o escopo do acordo bilateral que combina diplomacia e poder militar para garantir a segurança do país
Agência IRNA

Estreito de Ormuz

Em troca, dentro da estrutura acordada, o Irã se comprometeu a garantir o trânsito livre e aberto pelo Estreito de Ormuz e a permitir a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Essa flexibilização das restrições ocorre em um momento em que as reservas estratégicas de petróleo dos EUA caíram aproximadamente 9,1 milhões de barris na semana passada, atingindo 331,2 milhões de barris, seu nível mais baixo desde 1983, o que ressalta a importância da entrada do petróleo bruto iraniano no mercado.

O porta-voz da equipe de negociação do Irã, Esmail Baghaei, enfatizou que os acordos sobre vendas de petróleo bruto, licenças de exportação e o desbloqueio de fundos são regidos pelo princípio da reciprocidade, exigindo que cada ação de Teerã seja correspondida pela outra parte.

Por sua vez, Ghalibaf rejeitou as tentativas de dividir as conquistas militares dos diplomatas, descrevendo a negociação como uma continuação da luta no campo de batalha, onde as forças armadas alcançaram uma vitória que agora está sendo assegurada por meios políticos e jurídicos.

Ele explicou que a combinação de poder duro e poder brando possibilitou o levantamento do bloqueio naval dos EUA e a obtenção de concessões que teriam sido mais custosas por meios puramente militares, alertando que, em caso de problemas na implementação, o Irã responderá tanto com mísseis quanto por meio de negociações.

O Irã retoma exportações de petróleo

O presidente do Parlamento iraniano enfatizou a desconfiança em relação a Washington, razão pela qual salvaguardas rigorosas e cláusulas exigindo ação imediata dos Estados Unidos foram incorporadas ao acordo após sua assinatura.

Qalibaf apontou para a influência da República Islâmica, afirmando que o presidente dos EUA, Donald Trump, foi forçado a modificar uma declaração nas redes sociais na qual havia prometido a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, uma via navegável que será aberta nos termos e prazos estabelecidos pelo Irã.