Irã mantém Estreito de Ormuz fechado e impede entrada de três navios
Pequim atuará em conjunto com Paquistão na busca por cessar-fogo; 'não será fácil', afirma chanceler chinês
A Marinha iraniana impediu três navios de passarem pelo Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (27/03), reiterando às embarcações que tentarem atravessar a passagem, por onde escoa 20% do petróleo mundial, que a via permanece fechada aos “inimigos” do Irã.
Os navios portavam bandeiras de diferentes nacionalidades e foram obrigados a recuar após interceptação da Marinha iraniana, segundo comunicado da Guarda Revolucionária Islâmica. Qualquer embarcação que tenha como origem ou destino portos de aliados dos “inimigos sionistas-americanos” estará proibida de transitar pela região, independentemente da rota, afirmou.
Segundo a Kpler, plataforma de dados marítimos, ao menos dois navios porta-contêineres que tentaram atravessar o Estreito pertencem à controladora chinesa Cosco. Eles tentaram a passagem às 3h50 GMT (1h50 no horário de Brasília), comunicando que a embarcação tinha proprietários e tripulação chinesa. Mesmo assim foram obrigados a recuar.
As embarcações contém remessas da Ásia para os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait e Iraque e estão detidas desde o começo da guerra, em 28 de fevereiro.
Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, havia declarado que a passagem não estava totalmente fechada, apenas aos “inimigos” e que o Exército iraniano garantiria trânsito seguro a navios de nações amigas.

Irã mantém Estreito de Ormuz fechado e impede entrada de três navios
Jacques Descloitres / NASA/GSFC
Pequim irá colaborar nas mediações
O caso ocorre em meio à entrada da China, de forma mais direta, na mediação por um cessar-fogo na guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Nesta manhã, o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, conversou por telefone com o chanceler do Paquistão, Ishaq Dar. Ele afirmou que iniciar negociações de paz entre Irã e Estados Unidos e Israel “não é tarefa fácil”, mas destacou que um eventual acordo seria “propício para restaurar a navegação normal pelo Estreito de Ormuz”.
Segundo a diplomacia chinesa, Pequim e Islamabad concordaram em trabalhar conjuntamente nas mediações, visando a interrupção das hostilidades e a retomada das negociações, em busca da segurança de alvos civis e das rotas marítimas.
O Paquistão já vem atuando como canal de comunicação entre Washington e Teerã, com apoio de países como Turquia e Egito.
























