Irã menciona 'derrota estratégica dos EUA' e nega conversas com Trump: ‘negociam sozinhos’
Casa Branca envia plano com 15 pontos para trégua por intermédio do Paquistão; embaixador iraniano no país, Reza Amiri Moghadam, reitera ausência de tratativas entre Teerã e Washington
O Irã desmentiu nesta quarta-feira (25/03) as afirmações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país está em negociação com Washington. A Casa Branca encaminhou ao Irã, por meio de mediadores do Paquistão, um plano de 15 pontos para uma possível trégua.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou nesta terça-feira (24/03) que “com a aprovação dos Estados Unidos e do Irã, o Paquistão está disposto e honrado para acolher negociações significativas e conclusivas que permitam uma solução abrangente” para a guerra.
No mesmo dia (24/03), Trump disse que um acordo estaria em andamento. “Estamos conversando com os líderes certos e eles querem muito chegar a um acordo”, afirmou. A declaração, no entanto, foi desmentida pelo próprio embaixador do Irã, no Paquistão, Reza Amiri Moghadam.
“Segundo as minhas informações, ao contrário do que afirma Trump, não ocorreram negociações diretas ou indiretas entre os dois países até o momento”, disse ele a Reuters, ao acrescentar que países aliados estão tentando criar as condições para um eventual diálogo.
“Países amigos buscam criar as bases para o diálogo entre Teerã e Washington, que esperamos que seja frutífero para pôr fim a esta guerra imposta”, afirmou. Ainda assim, Moghadam destacou que a posição oficial iraniana permanece de rejeição a qualquer negociação direta com os Estados Unidos no atual contexto.
Plano de Trump
Associated Press e New York Times informaram que o plano apresentado pela Casa Branca, com 15 pontos, incluiu um cessar-fogo de 30 dias para negociações.
Entre as exigências de Washington constam o comprometimento iraniano de nunca buscar desenvolvimento de armas nucleares, a limitação no alcance e número de mísseis do Irã, o fim do financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah, e a criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.
Em contrapartida, Washington oferece alívio total das sanções, assistência no desenvolvimento de um projeto de energia nuclear civil em Bushehr, no sul do Irã, e a eliminação do mecanismo de reversão automática que permite o restabelecimento de sanções da ONU previamente impostas contra o Irã.
Ao Conselho de Segurança da ONU e à Organização Marítima Internacional (OMI), o Irã informou que o Estreito de Ormuz está aberto apenas para embarcações consideradas “não hostis” que são, detalha, as que “não participam nem apoiam atos de agressão contra o Irã” e que não pertencem aos Estados Unidos ou a Israel.
‘Negociam consigo mesmos’
Esta posição foi reafirmada nesta manhã pelo porta-voz da sede Central Khatam al-Anbia do Irã, Ebrahim Zolfaghari. Em discurso duro e dirigido ao mandatário da Casa Branca, ele afirmou: “o poder estratégico do qual vocês se vangloriavam transformou-se em uma derrota estratégica. Uma autoproclamada superpotência, se pudesse escapar dessa situação difícil, já o teria feito a esta altura”.

Porta voz governo iraniano nega negociações com EUA
Agência Tasnim
Ele também advertiu o presidente norte-americano a não classificar o cenário como um processo de negociação. “Sua era de promessas chegou ao fim. Hoje, no mundo, há duas frentes: a verdade e a falsidade. E nenhum indivíduo que busca a liberdade se deixará influenciar por suas ondas midiáticas”, acrescentou. “O nível de seus conflitos internos chegou ao ponto em que vocês negociam consigo mesmos?”, ironizou.
O porta-voz reiterou que qualquer retorno à normalidade dependerá exclusivamente da vontade iraniana e que os Estados Unidos não terão noticias de investimentos na região e de diminuição dos preços do petróleo e gás até entenderem que “a estabilidade na região é garantida pela poderosa mão de nossas Forças Armadas. Estabilidade vem pela força.”
“Nossa primeira e última palavra foi, é e sempre será: alguém como nós não chegará a um acordo com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca”, acrescentou.
























