Irã reitera controle sobre Ormuz e ironiza anúncio de Trump: '20% é muito, seremos justos'
Ataques continuam nesta terça (14): EUA bombardeiam Bandar Abbas, ilhas de Kish, Qeshm e Abu Musa; Teerã ataca bases militares no Kuwait, Bahrein e Jordânia
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, rechaçou as declarações do presidente norte-americano Donald Trump, nesta terça-feira (13/07), após o anúncio de que Washington assumirá o controle do Estreito de Ormuz, cobrando uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pela rota.
“O presidente dos EUA está absolutamente certo. Quem garante a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz deve ser compensado por esse serviço. O Irã sempre foi o guardião do estreito e continuará sendo para sempre. Vinte por cento é, obviamente, muito. Seremos justos”, escreveu o chanceler iraniano, nas redes sociais.
Trump anunciou que os Estados Unidos retomarão o bloqueio à navegação iraniana no Golfo Pérsico. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), a medida entraria em vigor às 16h (horário da costa leste norte-americana). Teerã classificou a proposta como “extorsão econômica” e um ato ilegal contra sua soberania.
As autoridades iranianas sustentam que o Estreito de Ormuz está situado em águas territoriais do país e que, historicamente, o Irã sempre garantiu a segurança da navegação sem impor pedágios aos navios comerciais. Para o governo iraniano, a militarização da região pelos Estados Unidos representa uma ameaça à estabilidade energética global.
Exportações serão mantidas, diz Irã
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) advertiu que qualquer país que insistir em utilizar a rota sob proteção norte-americana sofrerá “arrependimento, prejuízos e atrasos”. Nesta terça-feira (14/07), dois petroleiros foram danificados após ignorarem os alertas do Centro de Controle de Segurança do Estreito de Ormuz, forçando a passagem por uma área minada.
A IRGC acrescentou que a cooperação com “um inimigo que veio de milhares de quilômetros de distância para violar os direitos dos povos da região” poderá atrasar a reabertura plena da navegação e desencadear uma crise energética global.
Segundo o ministro do petróleo iraniano, Mohsen Paknejad, as exportações do combustível não enfrentarão problemas. “Os norte-americanos, como de costume, quebraram sua promessa e violaram o Artigo 10 do memorando de entendimento relativo às isenções de 60 dias. Dado que as estruturas previstas para a continuidade das exportações de petróleo foram mantidas, o processo de exportação de petróleo do país continua como antes”, afirmou.
A empresa de monitoramento marítmo, TankerTrackers, afirmou que nas últimas quatro semanas, o Irã exportou mais de 80 milhões de barris de petróleo bruto e derivados, avaliados atualmente em US$ 6 bilhões. A agência estima que o país conta com “mais de 60 milhões de barris de capacidade de armazenamento flutuante disponíveis dentro do perímetro do bloqueio, caso seja forçado a reduzir sua produção”.

Irã reitera controle sobre Ormuz e ironiza anúncio de Trump: ‘20% é muito, seremos justos’
Mohammadhosein Moyahedinejat/Tasnim
Ataques continuam
A imprensa iraniana registrou nesta manhã (14/07) bombardeios norte-americanos em Bandar Abbas, nas ilhas de Kish, Qeshm e Abu Musa, além da região de Bushehr, onde fica a usina nuclear civil do país. A agência Fars também informou que pelo menos três pessoas morreram durante ataques dos Estados Unidos na província de Hormozgan.
O Irã também mantêm ataques aéreos contra instalações militares norte-americanas no Kuwait, Bahrein e Jordânia. Nesta manhã (14/07), os Emirados Árabes Unidos confirmaram que dois de seus navios-tanque foram atingidos por mísseis de cruzeiro iranianos quando transitavam por águas territoriais de Omã. Segundo Abu Dhabi, um integrante da tripulação morreu e outras oito pessoas ficaram feridas.
A Índia também reagiu aos ataques e convocou o vice-embaixador iraniano, Mohammad Javad Hosseini, após a morte de um tripulante indiano e o ferimento de outros marinheiros que estavam a bordo de um dos petroleiros atingidos, nas águas de Omã. Entre os oito feridos, seis eram indianos.
Preços do petróleo sobem
Ante o temor de interrupções no fluxo mundial de petróleo, os preços do combustível subiram novamente nesta terça-feira (14/07): os contratos futuros do petróleo Brent, referência global, aumentaram 2%, alcançando US$ 84,98 por barril; enquanto o petróleo WTI avançou 2,1%, para US$ 79,79.























