Atualizada às 00h34, 02 de setembro
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou nesta terça-feira (01/09) ter iniciado uma operação pela região do Oriente Médio em resposta ao mais recente ataque promovido pelos Estados Unidos no sul do país, que resultou na morte de quatro civis, incluindo uma criança. Em comunicado divulgado pela emissora estatal IRIB, o grupo afirmou ter lançado inicialmente um ataque “pesado” com mísseis balísticos contra a Base Aérea Prince Hassan, na Jordânia, que destruiu drones norte-americanos RQ-4 e MQ-9, de longo alcance.
Segundo o IRGC, as forças também realizaram um ataque combinado de mísseis e drones contra instalações norte-americanas na província de Erbil, no norte do Iraque. Esta ofensiva destruiu um centro de reparos e armazéns contendo equipamentos técnicos, bem como um sistema de guiamento de balão de vigilância dos Estados Unidos. Acrescentou que tanques de combustível foram incendiados, além de matar militares norte-americanos.
Ao mesmo tempo, as forças iranianas miraram uma base aérea de Washington no Bahrein, de acordo com a IRIB. “O Exército da República Islâmica do Irã, há algumas horas, atacou instalações de radar e pontos de reunião das forças terroristas dos EUA na Base Aérea de Sheikh Isa, no Bahrein, por meio de ataques intensivos realizados por drones suicidas”, relatou a mídia estatal.
O porta-voz da sede central Khatam al-Anbiya do Irã, coronel Ebrahim Zolfaghari, declarou que as forças do país lançaram ofensivas generalizadas contra bases dos Estados Unidos na região do Oriente Médio em resposta à sua mais recente agressão que atingiu uma casa onde se celebrava um casamento em Bandar Kuhestak, no condado de Sirik, na província de Hormozgan. De acordo com o Crescente Vermelho iraniano, quatro pessoas, incluindo uma criança, foram mortas por Washington, enquanto mais de 50 ficaram feridas.
Em um discurso transmitido pela estatal IRIB após os ataques retaliatórios, Zolfaghari afirmou que a nação causou grandes danos à infraestrutura, instalações, armas e equipamentos, e que um “número significativo” de comandantes e soldados norte-americanos teriam sido mortos ou feridos.
“Essas operações ofensivas contra os norte-americanos continuarão até que se arrependam de seus crimes”, assegurou. “Alertamos que a continuidade do mal americano na região será recebida com respostas mais pesadas, amplas e devastadoras, e qualquer país que coopere com o agressivo exército norte-americano deve aceitar suas consequências perigosas”.
Por sua vez, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, também condenou a última rodada de ataques norte-americanos e garantiu que a nação responderá “com firmeza”.
“O catálogo dos Estados Unidos de atrocidades contra a nação iraniana está agora completo: uma residência em Kuhestak, Sirik, foi brutalmente atacada esta noite enquanto famílias celebravam um casamento. Mais de 50 homens, mulheres e crianças inocentes foram mártires ou feridos”, escreveu em uma postagem na plataforma X.
Baqaei também criticou a omissão de governos e instituições internacionais e aqueles que buscam justificar tais ataques, alertando que quem está em silêncio “não estará imune às consequências amanhã”.
O presidente norte-americano Donald Trump afirmou que a ofensiva estadunidense a uma festa de casamento no sul do Irã decorreu de uma suposta tentativa iraniana de instalar minas marítimas no Estreito de Ormuz e ao lançamento de oito mísseis contra uma base militar norte-americana na Jordânia. Segundo o republicano, as minas foram removidas ou detonadas e os oito mísseis foram interceptados.
Os bombardeios norte-americanos contra alvos civis começaram por volta das 13h (horário de Brasília), de acordo com o Comando Central dos EUA (CENTCOM, na sigla em inglês). Explosões foram registradas perto de Bandar Abbas e da ilha de Qeshm, no litoral iraniano. Momentos depois, o CENTCOM informou que suas forças haviam concluído sua operação ao atingir supostos “alvos do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, incluindo locais de defesa aérea, sistemas de radar, ativos e instalações marítimas, capacidades de colocação de minas e locais de comunicação”.
O chefe do Comitê de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, condenou o ataque morta dos EUA. Por meio da plataforma X, a autoridade iraniana reiterou que os agressores deverão lidar com as consequências, além de apontar para o que descreveu como um “desespero” por parte dos autores da ofensiva.
“Não se engane: esses crimes não ficarão impunes”, disse Azizi. “Nada os protegerá da vontade esmagadora das forças armadas do Irã.”
Ainda nesta terça-feira, Trump afirmou à Fox News que qualquer acordo com o Irã não teria valor e ameaçou realizar ataques ainda mais intensos caso o país reaja. A declaração ocorreu após o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, dizer que Teerã poderia retomar compromissos de um acordo de cessar-fogo caso Washington também cumprisse sua parte.
A escalada coloca em risco o estreito, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que Teerã reagirá caso os EUA tentem impedir as exportações iranianas pelo Golfo Pérsico.
Vale ressaltar que a nova ofensiva ocorre dois dias após Washington atacar posições iranianas na ilha de Larak, no em Ormuz. Teerã respondeu com mísseis contra instalações norte- americanas na Jordânia.