O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou nesta segunda-feira (28/09) que o Irã detém controle sobre o Estreito de Ormuz e que as Forças Armadas iranianas conseguiram afastar seus adversários das águas próximas ao sul do país. E advertiu: “não demorará muito para que o mar da Arábia também se livre da presença deles [países inimigos]”.
Segundo Khamenei, após terem sofrido “golpes dolorosos” no Estreito de Ormuz, ninguém mais “ousa aventurar-se além do Mar Arábico”, que também será liberto. A declaração foi transmitida em meio às comemorações da “Semana da Defesa Sagrada”, que marca os embates de 1980 a 1988, durante a guerra entre Irã e Iraque, ocorrida após a Revolução Islâmica de 1979.
Khamenei rememorou as várias tentativas de reverter a revolução, exaltando a independência em relação às potências ocidentais conquistada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. “A Revolução Islâmica era profundamente intolerável para as potências hegemônicas cujos olhos gananciosos estavam voltados para a riqueza desta terra, e, por anos, infligiram todo tipo de atrocidades ao povo do Irã para reivindicar esses recursos para si”, afirmou.
“Os dias que o nosso inimigo deseja reviver já passaram e jamais se repetirão”, declarou, ao acrescentar que as capacidades militares iranianas alteraram o equilíbrio de forças na região e destacou a atuação do país no Estreito de Ormuz.
O líder iraniano também prestou uma homenagem ao secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, que foi morto por Israel em setembro de 2024. Ele o descreveu como uma figura central da Frente de Resistência e defensor do povo libanês, apontando que seu legado segue firme sob a liderança do atual secretário-geral do grupo libanês, Naim Qassem.
Today, because of the painful blows they [the enemies] have suffered at the hands of the valiant [Iranian] fighters & the guardians of the #Strait_of_Hormuz, they dare not advance beyond the Arabian Sea. It won’t be long before the Arabian Sea rids itself of their presence too.
— Ayatollah Mojtaba Khamenei (@MKhamenei_ir) September 28, 2026
Teerã apresentou, por intermédio do Qatar, um roteiro que previa a reabertura da passagem marítima e a retomada das negociações sobre seu programa nuclear no prazo de sete dias. A proposta foi rejeitada no último sábado (26/09) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump em coletiva na Casa Branca. “Rejeito a proposta deles”, afirmou Trump, acrescentando que “este acordo não seria aceitável”.
A falta de entendimento voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo. Nesta segunda-feira (28/09), os contratos futuros do Brent subiram US$ 3,98, ou 3,82%, para US$ 108,30 o barril às 09h59 GMT, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou US$ 3,52, ou 3,81%, para US$ 95,93 o barril.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou no domingo (27/09) que Teerã aguarda que os mediadores “transmitam as posições definitivas” para tomar sua decisão sobre o conflito. Apesar da rejeição, Trump disse esperar que representantes dos dois países voltem a conversar nesta semana.