Líder da OTAN diz que países europeus estão 'dispostos' a discutir ações para abertura de Ormuz
Mark Rutte minimizou críticas de Trump que chamou nações aliadas de 'covardes', cobrando entrada dos membros do bloco na guerra contra o Irã
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, afirmou que os países europeus estão dispostos a discutir ações para abertura do Estreito de Ormuz, durante uma coletiva de imprensa, em Bruxelas, nesta quinta-feira (26/03).
Pela manhã, Trump afirmou na sua Truth Social que “os países da OTAN não fizeram absolutamente nada” para ajudar os Estados Unidos e Israel na guerra contra o Irã. “Os EUA não precisam de nada da OTAN, mas nunca se esqueçam deste momento importantíssimo!”, afirmou.
Questionado pelos jornalistas sobre as declarações do presidente norte-americano, Rutte evitou o confronto direto. “O que tenho visto é uma certa frustração sobre os europeus precisarem de tempo para reagir aos seus pedidos, eu disse, olha, tem um motivo para isso”, afirmou.
“Por boas razões, os Estados Unidos não puderam consultar [os países] aliados porque queriam manter a campanha em segredo novamente, para garantir que ninguém soubesse o que aconteceria naquela manhã de sábado”, disse, referindo-se ao ataque em 28 de fevereiro contra o Irã.
Como destaca The Guardian, o secretário-geral da OTAN afirmou que apesar das divergências iniciais, há disposição crescente entre os países europeus para discutir formas de atuação conjunta, especialmente, no que diz respeito à segurança do Estreito de Ormuz. Eles estão dispostos a ‘se reunir para discutir’ o que podem fazer para ajudar a manter o estreito aberto, afirmou Rutte.

Líder da OTAN diz que Europa está ‘disposta’ a discutir ações para abertura de Ormuz
OTAN
No dia 16 de março, a União Europeia disse que o Estreito de Ormuz estava fora do raio de ação da OTAN. Dias depois, também nas redes sociais, Trump chamou os países europeus de covardes. “Eles reclamam dos altos preços do petróleo que são obrigados a pagar, mas não querem ajudar a abrir o Estreito de Ormuz (…) Covardes, e nos nos lembraremos”, advertiu.
‘Precisamos fazer mais’
Durante a coletiva, Rutte afirmou que o Irã já tem capacidade de atingir os países aliados, ao mencionar a tentativa iraniana de atingir a base conjunta dos Estados Unidos e Reino Unido em Diego Garcia. “Se um míssil iraniano for capaz de atingir Diego Garcia, trata-se de um desenvolvimento relevante, pois significa que o Irã já possui capacidades perigosas para os aliados. Podem fazer as contas: são quatro mil quilómetros”, afirmou.
“A boa notícia, claro, é que os aliados estão preparados. Podemos defender-nos. A OTAN é uma aliança muito forte. E vocês viram isso na Turquia com os três mísseis apontados ao país”, acrescentou.
Durante a coletiva, o secretário-geral da OTAN apresentou os dados do relatório anual do bloco, apontando um aumento significativo dos gastos militares entre os países aliados, após a cúpula de Haia, em 2025. Segundo ele, os países avançaram no compromisso de elevar seus investimentos em defesa, com crescimento de 20% nos gastos de Europa e Canadá em relação ao ano anterior.
Apesar do avanço, Rutte afirmou que “a base industrial de defesa no momento simplesmente não está produzindo o suficiente” e que os países do bloco não são “rápidos o suficiente para implementar inovações. Estamos melhorando, mas precisamos fazer mais”, disse.
Ele também afirmou que, embora a atenção global esteja voltada para o Oriente Médio, a Rússia continua sendo “a ameaça mais significativa e grave” à segurança euro-atlântica.
























