Líder supremo iraniano pede unidade nacional e vigilância durante negociações com EUA
Aiatolá Mokhtaba Khamenei, no 40º dia do martírio de seu antecessor e pai Ali Khamenei, afirma: 'não deixaremos impunes os criminosos'
O novo líder da Revolução Islâmica, aiatolá Seyyed Mokhtaba Khamenei, exortou o povo iraniano na quinta-feira (09/04) a permanecer vigilante contra qualquer ameaça, mesmo enquanto negociações estão em andamento com os Estados Unidos e a entidade sionista de Israel, ao mesmo tempo em que apelou à unidade nacional e à resistência, no 40º dia desde o martírio do aiatolá Seyyed Ali Khamenei.
O aiatolá Khamenei afirmou que não se deve aceitar a suposição de que as negociações com o inimigo diminuiriam a necessidade de participação pública. “Portanto, mesmo que se presuma que entramos numa fase de silêncio militar, é dever de todo cidadão que possa estar presente nas ruas, nos bairros e nas mesquitas intensificar a sua participação”, declarou.
O líder afirmou que a ascensão da República Islâmica como uma grande potência e o “declínio visível do imperialismo” tornaram-se evidentes para todos. “Sem dúvida, esta é uma bênção divina que nos foi concedida através do sangue do nosso líder mártir e de outros mártires caídos, dos compatriotas oprimidos e das flores espalhadas na escola sob a nobre árvore de Minab“, declarou.
“Irmãos e irmãs da pátria! Hoje, e até este ponto na saga da terceira defesa sagrada imposta, pode-se afirmar com toda a certeza que vocês, o povo heróico do Irã, foram os grandes vencedores neste cenário”, acrescentou.
O aiatolá Khamenei enfatizou que a expressão prática de gratidão pela bênção divina se manifesta por meio de “esforços incansáveis para alcançar um Irã poderoso”. O líder destacou a necessidade de “participação pública contínua para atingir esse objetivo estratégico, conforme estabelecido pelo líder mártir”. “O que é necessário neste momento para alcançar esse lema estratégico e o objetivo do líder mártir é a presença constante de nosso amado povo, como demonstrado nos últimos quarenta dias. Essa presença é um pilar fundamental do status que o Irã poderoso alcançou hoje “, ressaltou.

Milhões de iranianos foram às ruas de todo o país em 9 de abril para marcar o 40º dia desde o martírio do falecido Líder da Revolução Islâmica, o Aiatolá Seyed Ali Khamenei
MohammadHosein Movahedinejad / Tasnim News
O líder declarou que “os clamores do povo nas ruas estão tendo impacto nas negociações após o cessar-fogo de duas semanas anunciado na quarta-feira (08/04)”. Refletindo sobre a transformação da República Islâmica desde a sua fundação, o aiatolá Khamenei elogiou as conquistas das últimas décadas. “Quando nosso líder mártir assumiu o comando, a República Islâmica era como uma muda, gravemente ferida por múltiplos ataques dos inimigos do Islã e do Irã, mas resistiu a todos eles”, recordou.
Contudo, o líder enfatizou que “o caminho para o objetivo de um Irã mais forte reside na unidade entre os diversos setores da sociedade, como o líder mártir frequentemente destacava”. O aiatolá Khamenei observou que “uma parte significativa dessa unidade foi alcançada nestes últimos quarenta dias: os corações do povo se aproximaram, as divisões entre os diferentes grupos e suas diversas inclinações começaram a desaparecer, e todos se uniram sob a bandeira da pátria”.
Dirigindo-se aos vizinhos do sul do Irã, o líder os exortou a reconhecer os acontecimentos na região. “Aos nossos vizinhos do sul, digo: vocês estão testemunhando um milagre. Portanto, observem atentamente e compreendam-no bem, permaneçam do lado certo e cuidado com as falsas promessas dos perversos“, advertiu. Ele continuou: “Ainda aguardamos uma resposta adequada de vocês para que possamos demonstrar nossa fraternidade e boa vontade”. Contudo, esclareceu que isso não será alcançado “a menos que vocês se distanciem dos poderes arrogantes que nunca perdem a oportunidade de humilhá-los e explorá-los”.
Em tom resoluto, o Líder Supremo afirmou a busca inabalável por justiça: “Isto é algo que todos devem saber: se Deus quiser, não deixaremos impunes os criminosos que atacaram o nosso país. Exigiremos, sem dúvida, compensação por todas as perdas causadas, o dinheiro dos mártires e o dinheiro para os feridos nesta guerra. Além disso, elevaremos a gestão do Estreito de Ormuz a um novo patamar”, declarou.
O aiatolá Khamenei enfatizou sua firme posição em relação ao futuro: “Não buscamos a guerra, nem nunca a buscamos, mas não abandonaremos nossas justas reivindicações. Levaremos em consideração toda a Frente de Resistência em nossos cálculos e ações.” Ele também apelou ao povo iraniano para que permaneça unido e se cuide durante este período difícil.
“Nesta fase, enquanto avançamos para alcançar o que é nosso por direito, exorto todos os cidadãos a apoiarem-se mutuamente para mitigar a pressão da escassez de recursos naturais causada pela guerra”, solicitou. Otimisticamente, acrescentou: “É claro que essas escassezes são muito mais graves do lado inimigo e, graças aos esforços de nossos irmãos e irmãs no governo e em outras instituições, foram em grande parte atenuadas”.
O aiatolá Khamenei alertou ainda sobre a influência da propaganda inimiga: “É essencial que protejamos nossos ouvidos, as janelas de nossas mentes e corações, dos meios de comunicação que estão sob o controle do inimigo ou alinhados a ele . Esses meios de comunicação não buscam o bem do nosso país, e isso já foi comprovado inúmeras vezes. Portanto, devemos evitá-los completamente ou abordar suas propostas com extremo ceticismo”, afirmou.
O líder descreveu o martírio do aiatolá Khamenei como uma das maiores tragédias sofridas pelo Irã , comparando-o a uma das mais dolorosas perdas nacionais da história moderna. “Quarenta dias se passaram desde um dos maiores crimes cometidos pelos inimigos do Islã e do Irã, e uma das maiores tristezas públicas da história desta nação”, dizia sua mensagem, referindo-se ao martírio do aiatolá Khamenei.
O líder exortou o povo iraniano a manter vivo em seus corações o espírito de vingança pelo sangue de seus heróis caídos. “Embora o período oficial de luto pelo líder mártir tenha terminado, a firme resolução de vingar o sangue puro de nossos mártires da segunda e terceira guerras impostas permanece viva nos corações e mentes do povo , que continuará a lutar para que essa determinação seja cumprida”, disse ele.
O novo líder saudou o aiatolá Khamenei (o líder mártir) como o “pai da nação iraniana” e uma figura fundamental no movimento de resistência global, cujo sacrifício inspirou muitos. Ele prestou homenagem ao seu espírito, afirmando que “sua alma agora reside na companhia do divino, assim como a de inúmeros camaradas, soldados e civis que foram mortos ao seu lado”.
























