Ministro israelense diz que país 'não é obrigado' a obedecer acordo EUA-Irã
Ben-Gvir e líderes do governo israelense criticam negociações que também envolvem fim dos ataques contra o Líbano; oposição acusa ‘fracasso’ de Netanyahu
Apesar de as lideranças de diversos países comemorarem o acordo entre Washington e Teerã, pressionando pela abertura imediata do Estreito de Ormuz, políticos israelenses e ministros do país criticaram o anúncio de cessar-fogo realizado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, neste domingo (14/06).
O Ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, foi o primeiro a comentar “o acordo de Trump”, afirmando que ele não vincula Israel e não obriga o país a obedecê-lo. “Israel não está subordinado aos Estados Unidos e somos um país independente e soberano! Nossa obrigação é para com os cidadãos de Israel, para com os soldados das FDI e para com o povo judeu”, afirmou.
Ben-Gvir enfatizou “nós amamos os EUA e somos gratos ao presidente Trump”, mas frisou que “o Estado de Israel não é uma república de bananas”. E enfatizou: “não somos parceiros neste acordo que não cuida de nossa segurança, e ele não nos vincula de forma alguma”.
Segundo o ministro da Segurança Nacional, não é possível aceitar “nada menos do que o desmantelamento do Hezbollah. Não podemos nos retirar de um único centímetro do território que nossos soldados conquistaram e limparam da infraestrutura terrorista”, afirmou.

Ministros israelenses afirmam que país ‘não é obrigado’ a obedecer acordo EUA-Irã
שי קנדלר / Wkimedia Commons
Já o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, classificou o acordo como “ruim para Israel e para o mundo livre inteiro. Ponto final”. Ele ponderou, no entanto, que “a campanha conjunta alcançou sucessos significativos no enfraquecimento do Irã, e esses avanços não foram perdidos”.
Em sua avaliação, é preciso “continuar o esforço para derrubar o regime [iraniano] por conta própria e por meio de métodos criativos, garantindo que o Irã nunca adquira armas nucleares”.
Continuidade
Smotrich reiterou o apoio a Netanyahu. “Nenhum daqueles que se veem como candidatos a primeiro-ministro resistiria nem a dez por cento da pressão atualmente exercida sobre o governo israelense, e especialmente sobre seu líder”. E afirmou que “o Líbano será o teste. Esta é a nossa guerra, os nossos soldados e a segurança imediata dos nossos residentes no norte”.
Mais ponderado, o ministro da Defesa do país, Israel Katz, disse que o acordo liderado por Washington parte da visão dos interesses norte-americanos, entre os quais “está também o interesse comum com Israel” de impedir que o Irã obtenha armas nucleares. Ele afirmou, no entanto, que “Israel não recuará das zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza”.
Segundo Katz, Israel permanecerá defendendo “nossas fronteiras e nossos cidadãos a partir do cume do Hermon, das montanhas do Líbano, das regiões de nossa terra na Samaria e da maior parte do território de Gaza” das “ameaças de forças e organizações jihadistas, como lição central dos eventos de 7 de outubro”.
‘Anos de fracasso’
Políticos israelenses também se manifestaram. Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro e candidato ao cargo nas próximas eleições, disse que as negociações representam uma “virada perigosa para a segurança de Israel”. Já Yair Golan, líder do Partido Democrata, afirmou que “com uma única canetada, foram apagadas conquistas militares grandiosas alcançadas com a coragem de nossos pilotos e o sangue de nossos combatentes, enquanto Netanyahu ficou de lado — fraco, doente, isolado e sem influência”.
Segundo Golan, Trump assinou um acordo que “injeta bilhões no regime dos aiatolás, deixa as infraestruturas nucleares intactas, mantém a ameaça balística como está e oferece uma tábua de salvação ao regime assassino em Teerã. Este é o resumo de longos anos de fracasso”, afirmou.
Ele também criticou diretamente Netanyahu, “o homem que, por anos, vendeu ao público a ilusão de ‘Sr. Segurança’, mas que, na prática, tornou-se o pai do maior fracasso estratégico da história de Israel”. Em sua avaliação, o premiê israelense “que prometeu ‘vitória absoluta’ termina seu mandato com os inimigos de Israel mais fortes e Israel mais fraca”.
“Sua substituição não é apenas uma necessidade política — é uma necessidade de segurança existencial”, afirmou.
Benny Gantz, ex-ministro da Defesa e líder do partido Azul e Branco, também qualificou o acordo de “fracasso estratégico”, afirmando que ele “exigirá que Israel se envolva em disputas diplomáticas, militares e jurídicas nos próximos anos”.
“Em nenhuma circunstância – é proibido concordar com a limitação da liberdade de ação de Israel no Líbano ou com uma retirada que coloque em risco os residentes do norte”, afirmou. “O acordo emergente com o Irã parece um fracasso estratégico que exigirá que Israel embarque em uma luta diplomática, militar e legal nos próximos anos, algo que só poderá ser liderado por um governo sionista amplo”, acrescentou.
























