Terça-feira, 23 de junho de 2026
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Estreito de Ormuz estará totalmente reaberto à navegação até a próxima sexta-feira (19/06), data prevista para a assinatura formal do memorando de entendimento entre Washington e Teerã, em Genebra.

Nesta segunda-feira (15/06), inclusive, ele disse ao presidente da França, Emmanuel Macron, em reunião à margem da cúpula do G7, que o tráfego marítimo havia sido parcialmente retomado na região. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também afirmou que havia observado “movimentação constante entre águas internacionais e portos iranianos”. “Isso é um bom sinal”, afirmou.

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Apesar das declarações otimistas, reportagem do New York Times informa que no Estreito de Ormuz, há poucos sinais concretos de normalização do transporte marítimo. A empresa de monitoramento naval Kpler estima que cerca de 500 grandes embarcações comerciais permanecem atualmente na região.

Três companhias de navegação, que mantêm suas embarcações paradas no Golfo Pérsico, afirmam que estão avaliando os riscos de uma retomada da travessia. A japonesa Mitsui O.S.K. Lines informou ao veículo norte-americano que suas operações não serão retomadas “até que a segurança seja suficientemente confirmada”.

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Na mesma linha, a alemã Hapag-Lloyd declarou que continua reavaliando as condições de segurança, ponderando que o acordo traz “esperança de que a situação de segurança no Estreito de Ormuz melhore”.  Já a dinamarquesa Maersk classificou o acordo de paz como um “desenvolvimento positivo bem-vindo”, informando que ainda não alterou suas operações na região devido à escassez de informações sobre a reabertura da via marítima.

Navios aguardam ‘condições seguras’ para retomar travessia pelo Estreito de Ormuz
Murgatroyd49 / Wikimedia Commons

A cautela, aponta o NYT, também foi manifestada pelo Centro de Operações Marítimas do Reino Unido. Em nota, a agência britânica afirmou que a ameaça à segurança no estreito permanece “grave”, acrescentando que o bloqueio naval militar dos Estados Unidos aos portos iranianos continua em vigor e orientando as embarcações a não se movimentarem até novas instruções.

Países debatem

Na cúpula do G7, que acontece nesta semana, autoridades da França, do Reino Unido e da Itália discutiram a adoção de operações militares após a assinatura do acordo para garantir a normalização da navegação comercial e auxiliar na remoção de minas marítimas.

Segundo a Reuters, França e Reino Unido lideram a proposta de criar uma força naval envolvendo cerca de uma dúzia de países. A missão incluiria navios de guerra, embarcações especializadas em caça e remoção de minas e meios de vigilância aérea. Inicialmente, as forças permaneceriam no Golfo de Omã, evitando entrar diretamente no Estreito de Ormuz sem a anuência de Teerã.

Em meio à espera pela abertura, a China se pronunciou. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmou que a rápida restauração de uma passagem livre e segura pelo Estreito de Ormuz “está nos interesses de todas as partes”. Segundo o diplomata, Pequim continuará em contato com os países envolvidos e com a comunidade internacional para garantir a segurança dos navios chineses e de suas tripulações.