Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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“Ele [Donald Trump] deve saber que a resistência do povo iraniano só aumentará diante das sanções, do aumento da pressão e do aumento da intimidação. Nunca baixaremos a cabeça, nem dobraremos os joelhos”, declarou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, nesta quarta-feira (23/09).

Pezeshkian mencionou o discurso feito ontem por Trump na ONU, em que o republicano ameaçou “mandar o Irã para o inferno”. Segundo o presidente iraniano, “tudo o que foi dito […] vai contra a própria essência” da Carta da ONU. “Ele [Trump] deve saber que a resistência do povo iraniano só aumentará diante das sanções, do aumento da pressão e do aumento da intimidação”, afirmou.

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Ao denunciar os ataques da administração republicana, ele afirmou que os iranianos “foram vítimas do terrorismo” e condenou os “ataques ilegais dos EUA” contra o país. “Venho de um Irã onde nosso estimado líder supremo foi assassinado sem qualquer fundamento legal ou justificativa”, disse ele.

“Venho de um Irã onde, na verdade, bombardearam uma escola”, acrescentou, referindo-se ao ataque dos EUA à escola primária de Minab, no primeiro dia da guerra; uma investigação de uma missão internacional das Nações Unidas afirmou na última quinta-feira (17/09) haver “motivos razoáveis” para acusar Washington de crimes de guerra durante a ofensiva militar contra o Irã.

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Enquanto o presidente do Irã iniciava seu discurso, um funcionário da delegação norte-americana se levantou, pegou sua pasta, tirou os óculos e saiu da sala.

Pezeshkian, por sua vez, não negou que Teerã respondeu aos ataques norte-americanos, mas acrescentou: “Não atingimos populações civis”. Ele também afirmou que seu país se defendeu “com toda a força” após ser atacado pelos Estados Unidos e por Israel, que possuem tecnologia de ponta e armamento avançado.

“Eles invadiram os territórios vizinhos e atacaram nossas universidades, nossos centros de saúde, nossas escolas, nossos hospitais, nossa infraestrutura, tudo isso contra o direito internacional”, disse, acrescentando que “nosso povo inocente tem sido alvo de ataques covardes e agressões impostas ao nosso país, e nos defendemos com toda a nossa força”.

Nesse sentido, ele também afirmou que os sistemas de defesa do seu país foram construídos de forma que “ninguém possa pensar que o bombardeio de cidades iranianas ficará sem resposta”, deixando claro que “para defender nosso país, não buscamos a permissão ou aprovação de ninguém”.

Pezeshkian reiterou a alegação do Irã de que não está buscando desenvolver armas nucleares. Contudo, ele afirmou que Teerã tem um direito “inerente” à tecnologia nuclear para fins pacíficos.

“Não vamos baixar a cabeça nem renunciar ao direito que nos é inerente. Deixamos isso bem claro: Não às armas nucleares e não há limitações à tecnologia nuclear para fins pacíficos”, acrescentou.

Dessa forma, ele continuou dizendo que há uma clara hipocrisia no fato de Israel possuir armas nucleares e não ser signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, “mas, mesmo assim, solicitarem a presença de inspetores no Irã”. “Eles [os israelenses] matam, nós somos sancionados, nós somos punidos”, afirmou.

Em relação às sanções impostas pelo governo de Donald Trump ao Irã, Pezeshkian declarou que só servem para prejudicar os civis pobres e desfavorecidos. “Os doentes, os inocentes, os pobres, os menos privilegiados da nossa sociedade são os alvos destas sanções”, disse, observando que os EUA procuram “sacrificar a população de um país para atingir seus objetivos ilegítimos”.

O presidente iraniano relembrou que o Irã não atacou ninguém nos últimos 200 anos, “mas agora estamos sendo acusados de sermos uma fonte de instabilidade na região, estamos sendo rotulados de terroristas”.

“Não buscamos o poder para atacar ou cometer agressões. Buscamos energia para o progresso, não para ameaçar as sociedades com armas”, disse ele, comentando também que o Irã não busca usar seu poder para fins hegemônicos, acrescentando que “não buscamos nossa segurança na insegurança dos outros”.

O líder também citou a situação do Estreito de Ormuz, e disse que não vai “permitir que alguns tenham livre acesso e obtenham seus interesses em uma hidrovia, enquanto, ao mesmo tempo, usem essa hidrovia para impor agressões contra nós, para nos impor insegurança e para proibir o acesso às nossas próprias hidrovias”.

Embora o Irã esteja aberto ao diálogo e às negociações, não aceitará “a linguagem da força”, concluiu ele.

Genocídio em Gaza

Pezeshkian também usou o espaço da Assembleia Geral para discursar sobre a Palestina, e afirmou que ela “continua sendo uma ferida aberta na consciência da comunidade internacional, e Gaza permanece um símbolo do fracasso dos mecanismos internacionais em impedir o sofrimento dos civis”.

“Israel assassinou brutalmente mais de 70 mil inocentes em Gaza, mas o Irã, enquanto negociava, foi bombardeado”, comentou.

“Durante décadas, resoluções foram adotadas, mas a ocupação e a violência continuaram”, disse, acrescentando que, enquanto a ocupação, a agressão e a injustiça persistirem no mundo, “a resistência continuará”.

“Apesar dos assassinatos implacáveis e da devastação generalizada, Gaza fortaleceu a fé do povo na resistência, e a resistência não pode ser destruída por bombas e cercos; isso é da natureza humana”, declarou.

O presidente também comentou que “se um ser humano for expulso de sua terra, ele resistirá. Se suas casas forem alvo de bombardeios, agressões e ataques, ele resistirá; que outra escolha lhe resta?”.

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