O que se sabe sobre o acordo de cessar-fogo entre Irã e EUA
Trump diz que impasse sobre programa nuclear será 'perfeitamente resolvido', enquanto Teerã exige reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio, um dos 10 pontos da proposta iraniana
Pouco mais de uma hora antes do fim do ultimato que ele próprio havia estabelecido, o presidente norte-americano, Donald Trump, acabou recuando na terça-feira (07/04). Enquanto ainda ameaçava aniquilar a República Islâmica, Trump anunciou ter aceitado suspender “o poder destrutivo” que os EUA pretendiam usar contra o Irã e decretou um cessar-fogo de duas semanas.
“Aceito suspender os bombardeios por um período de duas semanas”, escreveu o presidente americano em sua rede social, dizendo responder a um pedido dos mediadores paquistaneses, que haviam solicitado um prazo adiciona.
Donald Trump fala em um “cessar-fogo recíproco”: durante essas duas semanas, os Estados Unidos interrompem seus bombardeios e o Irã se compromete a não mais atacar os países do Golfo. Teerã deve aceitar “a abertura total, imediata e segura” do Estreito de Ormuz, acrescenta o presidente norte-americano.
Essa exigência foi aparentemente aceita pelas autoridades iranianas. O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, confirmou que seu país garantirá travessias seguras nessa passagem por onde transitavam, antes da guerra, 20% do petróleo bruto mundial. O Exército “vai monitorar” a “passagem diária limitada de navios”, detalhou ele.

Pouco mais de uma hora antes do fim do ultimato que ele próprio havia estabelecido, o presidente norte-americano, Donald Trump, acabou recuando
The White House
Um plano iraniano em dez pontos sobre a mesa
Donald Trump afirma ter recebido “uma proposta em dez pontos”, que ele considera uma base de trabalho “viável” para avançar rumo a um acordo de paz, o qual indicaria que todos os objetivos militares norte-americanos já teriam sido alcançados.
O acordo, no entanto, inclui vários pontos que podem gerar impasses. Teerã exigiria, entre outras coisas, “a manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, o reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio — uma menção ausente, porém, da versão em inglês enviada à ONU —, o levantamento das sanções primárias e secundárias”, além da retirada das forças norte-americanas da região.
Donald Trump mantém suas acusações contra Teerã, afirmando que o Irã enriquece urânio com o objetivo de fabricar uma arma nuclear, alegações que não foram confirmadas pela ONU e são negadas pelas autoridades iranianas. O presidente norte-americano garante, no entanto, que essa questão será “perfeitamente resolvida”.
Por sua vez, Israel declarou apoiar o cessar-fogo, mas destacou que ele não inclui o Líbano, ao contrário do que havia sido anunciado pelo Paquistão. Seu Exército, portanto, continuará a guerra e a ocupação de parte do território libanês.
Negociações com o Paquistão
O acordo foi concluído no último minuto, após negociações com o Paquistão, que não apenas se impôs como um ator-chave, mas também conseguiu um cessar-fogo. Isso representa “um de seus maiores sucessos diplomáticos em anos”, segundo o especialista em Ásia do Sul, Michael Kugelman.
O país se posicionou como um interlocutor capaz de dialogar tanto com Washington quanto com Teerã, com o apoio, em particular, da China. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif deve receber já nesta sexta-feira discussões entre as delegações norte-americana e iraniana em Islamabad, com o objetivo de chegar a um acordo. Para Islamabad, essa mediação já constitui um sucesso diplomático e vem sendo saudada por vários países.
No mês passado, o ministro paquistanês das Relações Exteriores recebeu uma reunião com seus homólogos saudita, turco e egípcio para discutir a desescalada do conflito. Um fim duradouro da guerra reforçaria sua posição internacional num momento em que o país está envolvido em um conflito com o Afeganistão.






















