Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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Uma missão internacional das Nações Unidas (ONU) afirmou haver “motivos razoáveis” para acusar os Estados Unidos de crimes de guerra durante os ataques militares contra o Irã, dirigidos contra uma escola infantil em Minab e um complexo esportivo em Lamerd, em 28 de fevereiro.

“Após os ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, a missão encontrou motivos razoáveis para acreditar que os Estados Unidos cometeram o crime de guerra de lançar ataques indiscriminados que resultaram em perda de vidas ou ferimentos a civis ou danos a bens civis”, afirma o relatório da equipe de investigação.

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As conclusões da missão foram anunciadas nesta quinta-feira (17/09) e serão apresentadas ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. As investigações focaram o bombardeio norte-americano contra a escola infantil, Shajareh Tayyebeh em Minab, na província de Hormozgan, no sul do país; e no ataque contra o complexo esportivo e a área residencial de Lamerd. Ao menos 178 civis foram mortos nas duas ofensivas. A grande maioria, mulheres e crianças.

Do lado iraniano, os investigadores da ONU também analisaram a repressão governamental durantes os protestos ocorridos no país no final do ano passado.

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Crimes de guerra

Segundo relatório, no caso de Minab, a missão identificou que um míssil de cruzeiro Tomahawk norte-americano atingiu uma instalação civil “claramente identificável”. Os investigadores apontam que não há evidências de que o local estivesse sendo utilizado para fins militares e que as Forças norte-americanas não verificaram as informações da inteligência que indicaram a presença de um alto comandante militar iraniano no local.

A ONU afirma que a utilização de dados desatualizados e a ausência de confirmação ultrapassam os limites de uma simples negligência: “os EUA direcionaram os ataques ao prédio da escola, estando cientes de um risco substancial de atingir um alvo civil e agindo de forma imprudente em relação à possibilidade de que isso ocorresse”.

Captura de tela de vídeo postado em contas do governo iraniano no Telegram após ataque à escola, em Minab
Telegram/IRGC

Sete meses após os ataques, a administração Trump ainda não assumiu diretamente a responsabilidade pelo bombardeio da escola, tampouco tornou públicas as conclusões da investigação conduzida pelo Pentágono.

Em relação ao ataque, ocorrido no mesmo dia 28, contra o complexo esportivo e a área residencial em Lamerd, o relatório destaca que mísseis de ataque de precisão espalharam projéteis de tungstênio sobre um “complexo esportivo e área residencial claramente identificáveis”.

O bombardeio provocou danos em edifícios residenciais e em uma escola nas proximidades, causando a morte de 22 pessoas. Segundo a ONU, a operação também teve caráter indiscriminado e configura crime de guerra. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) negou a responsabilidade pelo episódio.

Repressão no Irã durante os protestos

A mesma missão da ONU também concluiu que as autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade durante a repressão aos protestos que começaram no país no final de dezembro de 2025.

A investigação apontou a existência de um ataque generalizado e sistemático contra civis, envolvendo assassinatos ilegais, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, perseguição e severas restrições à liberdade de expressão.

Os investigadores afirmam que o emprego da pena de morte durante a repressão representou uma escalada significativa em relação aos padrões anteriores de repressão à dissidência no país.

 

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