Países do Golfo cobram solução diplomática para fim da guerra no Irã
Al-Budaiwi, secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), destacou que país persa avançou ‘linha vermelha’ e pediu pressão global por negociações
O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), Jassim Mohammed Al-Budaiwi, afirmou em coletiva de imprensa em Riad, nesta quinta-feira (26/03), que apesar da escalada da guerra no Irã, a posição dos países do Golfo Pérsico “é por uma solução diplomática para o cessar dos ataques”.
“Nossa principal mensagem para nossos parceiros no mundo é enviar uma mensagem internacional, uma mensagem unificada ao Irã para que parem imediatamente e incondicionalmente seus ataques contra os países do CCG”, afirmou Al-Budaiwi.
O secretário-geral do CCG explicou que os países do Golfo têm buscado, de forma consistente, a redução das tensões na região e que o objetivo do bloco “não é destruir o Irã, mas estabelecer um bom relacionamento com ele”. Na avaliação dos países, as ações do Irã, incluindo os ataques e o fechamento do Estreito de Ormuz, “ultrapassaram todas as linhas vermelhas”.
Ele destacou que os países do CCG disseram “claramente” que não participariam de nenhuma operação militar nem permitiriam que seus territórios fossem usados para um ataque contra o Irã. E reiterou que os esforços diplomáticos seguem como prioridade, advertindo que “a deterioração da situação no Golfo Árabe será um alerta que ultrapassará a área do Golfo”.

Países do Golfo cobram solução diplomática para fim da guerra no Irã
Agência Tasnim
Ponto de virada
Al-Budaiwi classificou os ataques iranianos como um “ponto de virada” nas relações entre o Irã e os países do Golfo. “O Irã está propositalmente mirando e lançando ataques diretos contra os países do CCG”, acusou, acrescentando que as ações atingem alvos civis e já provocaram mortes entre moradores e cidadãos da região.
Apesar das acusações, o secretário-geral reiterou que o bloco mantém o interesse em relações “normais baseadas no respeito mútuo” com Teerã. Ele ressaltou que o CCG já fez diversos apelos por cooperação econômica e não intervenção, mas que, ainda assim, os países foram alvo de ataques, o que considera uma violação do arcabouço legal do grupo.
Ele frisou que o países do Golfo têm o direito de se defender e reiterou o princípio de defesa coletiva do bloco: “qualquer agressão contra qualquer país é agressão contra todos os países do CCG”. E advertiu: “o Irã é a base da crise na região e deve parar com essas reivindicações e ataques injustificados”.
O CCG nunca “respondeu ou retaliou” aos ataques iranianos, optando por uma postura de contenção na expectativa de que Teerã interrompa suas ações, frisou. Ele também destacou que, quando o Irã foi alvo de ataques israelenses em junho do ano passado, os países do bloco condenaram a ofensiva e defenderam uma solução diplomática para o conflito.
Impacto mundial
Al-Budaiwi ressaltou que o fechamento do Estreito de Ormuz e a imposição de taxas para navegação configuram “uma agressão e uma violação do acordo das Nações Unidas sobre o direito do mar”. Ele destacou que “a estabilidade da produção e exportação de petróleo desta região não é um luxo; é uma necessidade para os mercados internacionais”.
Disse também que os países do CCG “são o pulmão econômico do mundo”, produzindo 16 bilhões de barris de petróleo bruto, o que representa 22% da produção mundial total. “Esses países exportam 27% para o mundo, o que significa 11,5 bilhões de barris por dia”, afirmou.
Al-Budaiwi alertou que o fechamento do Estreito de Ormuz já provoca impactos econômicos em escala internacional e, no longo prazo, tende a comprometer o crescimento global, frisando que os ataques iranianos contra instalações energéticas dos países do Golfo constituem uma “agressão brutal” não apenas à região, mas à economia mundial como um todo.
O secretário-geral afirmou que refinarias estratégicas na Arábia Saudita e no Kuwait foram atingidas, ampliando os riscos para a estabilidade do fornecimento energético global. Diante desse cenário, ele classificou a crise como uma “responsabilidade internacional”, advertindo que a ameaça tende a se intensificar caso não haja uma resposta coordenada para proteger as cadeias de produção e distribuição de petróleo.
























