Países do Golfo condenam ataque iraniano aos Emirados Árabes
Irã atribui agressão ao 'aventureirismo dos EUA' que buscam criar passagem para navios atravessarem o Estreito de Ormuz bloqueado pelo país
Países do Golfo Pérsico reagiram à escalada na região nesta segunda-feira (04/05) que culminou no ataque iraniano contra instalações petrolíferas dos Emirados Árabes Unidos. A ofensiva ocorre após o presidente norte-americano Donald Trump anunciar nova operação para garantir a passagem de petroleiros e embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz, afirmando que as forças iranianas seriam “arrancadas da face da Terra” se atacassem os navios norte-americanos na região.
Nesta terça-feira (05/05), o Irã acusou os Estados Unidos de matarem cinco civis no estreito, afirmando que suas forças atacaram embarcações de passageiros na via navegável em vez de embarcações pertencentes ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), como alegado pelas forças do Comando Central (CENTCOM), que disseram ter afundado seis embarcações do IRGC.
Os ataques iranianos contra os Emirados Árabes Unidos ocorreram após o vazamento de informações do grupo hacker Hanzalah, que realizou uma operação cibernética contra o porto de Fujairah, por onde navios podem zarpar sem passar por Ormuz. O Irã atribuiu a agressão ao “aventureirismo dos militares dos Estados Unidos em criar uma passagem para navios atravessarem ilegalmente o Estreito de Ormuz”, afirmando que “os militares norte-americanos devem ser responsabilizados por isso”.
“A mensagem é clara: nenhuma cooperação entre os Emirados Árabes Unidos, o regime sionista e os Estados Unidos, seja ela velada ou declarada, permanecerá oculta aos nossos olhos, e qualquer ato de traição receberá a devida resposta”, disse o Ministério da Defesa iraniano.
Segundo os Emirados Árabes Unidos, ao menos 12 mísseis balísticos iranianos foram interceptados, três mísseis de cruzeiro e quatro drones nesta segunda-feira (04/05). Um petroleiro ligado à empresa estatal ADNOC também teria sido alvo. O país condenou “nos termos mais veementes os renovados ataques terroristas não provocados”, afirmando que não tolerará ameaças à sua soberania e que se reserva o “direito pleno e legítimo de responder”.
Reação internacional
Na mediação do enclave, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif manifestou apoio ao presidente Mohamed bin Zayed Al Nahyan. “O Paquistão condena veementemente os ataques com mísseis e drones contra infraestruturas civis nos Emirados Árabes Unidos na noite passada” e “se solidariza firmemente com nossos irmãos e irmãs emiratis, bem como com o governo dos Emirados Árabes Unidos, neste momento difícil”, disse. “É absolutamente essencial que o cessar-fogo seja mantido e respeitado, para permitir o espaço diplomático necessário para o diálogo que conduza à paz e à estabilidade duradouras na região”, salientou.
O Conselho de Cooperação do Golfo também condenou os ataques “nos termos mais veementes”. “A continuidade desses brutais ataques iranianos contra navios que passam pelo estreito configura pirataria e grave violação da segurança das rotas marítimas”, afirmou o bloco composto por Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Omã.

Países do Golfo condenam ataque iraniano aos Emirados Árabes
Tasnim
A Arábia Saudita também condenou “nos termos mais veementes” os ataques a instalações civis e embarcações, reiterando apoio aos Emirados. O Catar classificou a ofensiva como uma “violação flagrante da soberania dos Emirados Árabes Unidos e uma séria ameaça à segurança e à estabilidade da região”. O Kuwait denunciou a “ameaça direta à navegação marítima no Estreito de Ormuz”, enquanto o Bahrein descreveu os bombardeios como “uma escalada perigosa que ameaça a segurança e estabilidade da região”.
Na mesma linha, a Jordânia afirmou que os ataques representam “uma escalada perigosa e uma ameaça à segurança, à estabilidade, à integridade territorial dos Emirados Árabes Unidos e à segurança de seus cidadãos e residentes, bem como uma violação flagrante do direito internacional e da Carta da ONU”.
União Europeia
A União Europeia, por meio de Ursula von der Leyen, também se manifestou. “Esses ataques são inaceitáveis e constituem uma clara violação da soberania e do direito internacional. A segurança na região tem consequências diretas para a Europa, portanto, continuaremos trabalhando em estreita colaboração com nossos parceiros na desescalada e na resolução diplomática, para pôr fim às ações brutais do regime iraniano, tanto contra seus vizinhos quanto contra seu próprio povo”, afirmou.
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, disse que “Teerã deve retornar à mesa de negociações e parar de manter a região e o mundo como reféns: o bloqueio do Estreito de Ormuz deve terminar. Teerã não deve adquirir uma arma nuclear. Não deve haver mais ameaças ou ataques contra nossos parceiros”. O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou os ataques como “injustificados e inaceitáveis” e reiterou apoio aos aliados.
Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que o país se solidariza com os Emirados Árabes Unidos e continuará apoiando a defesa de nossos parceiros no Golfo. “O Irã precisa se engajar de forma significativa nas negociações para garantir que o cessar-fogo no Oriente Médio seja duradouro e que uma solução diplomática de longo prazo seja alcançada”, acrescentou.
O governo do Canadá também condenou “veementemente” os ataques com mísseis e drones contra os Emirados Árabes Unidos.







!['Veremos o que acontece. (…) A relação entre o presidente Xi [Jinping] e eu é muito boa', declarou Trump](https://operamundi.uol.com.br/wp-content/uploads/2025/08/48162296741_526044d570_b-300x200.jpg)
















