Países e organismos internacionais celebram assinatura do acordo EUA- Irã
China e Rússia pedem cumprimento integral dos compromissos assumidos; G7 classifica tratado como 'oportunidade histórica'
O acordo de paz, firmado eletronicamente pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian, nesta quarta-feira (17/06) foi comemorado por países, lideranças e organismos internacionais.
O tratado prevê a interrupção das hostilidades em todas as frentes do conflito, novas negociações sobre o programa nuclear iraniano, a retirada gradual das sanções contra Teerã e a liberação de ativos iranianos congelados.
Mediador do conflito, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que “a assinatura deste acordo no mais alto nível dos respectivos governos demonstra o compromisso de ambos os lados com uma resolução diplomática do conflito”.
Ele fez votos de que o acordo “sirva como uma base duradoura para maior compreensão, respeito mútuo e prosperidade compartilhada para toda a região”.
China e Rússia
China e Rússia saudaram o acordo nesta quinta-feira (18/06). O Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou esperar que Washington e Teerã conduzam as próximas negociações de forma “racional e pragmática” e cumpram integralmente os compromissos assumidos.
Já o Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou apoio ao entendimento e à manutenção do cessar-fogo, reiterando a importância de que “todas as partes envolvidas” no confronto o cumpram “rigorosamente” para evitar a escalada na região.
“Esperamos que o estabelecimento da paz ajude a restaurar a confiança nas relações entre os Estados de ambos os lados do Golfo Pérsico e que a retomada da navegação segura e sem entraves pelo Estreito de Ormuz […] ajude a reduzir a volatilidade nos mercados globais de energia e alimentos, o que afeta particularmente os interesses dos países mais vulneráveis”, afirmou a chancelaria de Moscou.

Países e organismos internacionais celebram assinatura do acordo EUA- Irã
Reprodução vídeo @Scavino47 X
Suíça confirma cerimônia
Os líderes dos países do G7 também saudaram o acordo, classificando-o como “uma oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear”.
O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que o acordo “abre caminho para uma paz duradoura e permite a reabertura do Estreito de Ormuz. É um passo importante na direção certa para nossos compatriotas que em breve permitirá uma redução nos preços da energia”.
O Ministério das Relações Exteriores da Suíça também se manifestou, considerando o entendimento “um passo importante rumo à desescalada na região” e confirmou à Al Jazeera a realização da cerimônia oficial de assinatura do acordo nesta sexta-feira (19/06).
Segundo o governo suíço, ambas as partes, “juntamente com os mediadores Paquistão e Catar e outros países envolvidos”, reunirão-se no resort de Burgenstock para as negociações iniciais sobre a implementação do acordo.
Em comunicado, os ministros das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, e do Paquistão, Mohammad Ishaq Dar, “expressaram a esperança de que este desenvolvimento significativo contribua para a paz duradoura, a estabilidade e o progresso na região e além”.
Já o primeiro-ministro do Catar, Xeique Mohammed bin Abdul Rahman bin Jassim Al Thani, reafirmou o apoio de Doha aos esforços para alcançar “soluções sustentáveis para as questões pendentes por meio do diálogo e de meios pacíficos, em conformidade com os princípios do direito internacional”.
Líderes e organizações
Ao saudar o fechamento do acordo, o ex-presidente iraniano Hassan Rouhani afirmou que os líderes do Irã “com firmeza, sabedoria e prudência, administraram a unidade da nação”, enquanto as Forças Armadas “deixaram o inimigo com o amargo pesar da derrota militar em seus corações”.
Ele ponderou, no entanto, que “as conquistas do acordo inicial devem ser salvaguardadas” e que os iranianos devem permanecer vigilantes “contra as tramas do inimigo e as quebras de promessa”.
No Líbano, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, descreveu o acordo como uma “grande vitória” e agradeceu ao Irã por ter insistido na inclusão da frente libanesa nas negociações.
“Parabenizamos o povo iraniano, a liderança e aqueles que apoiam a liberdade por esta grande vitória, e agradecemos à República Islâmica por ligar a frente do Líbano – a resistência, que sacrificou muito – e forçar Israel a cessar sua agressão”, afirmou.
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, saudou a assinatura do acordo, afirmando que agora começa o trabalho técnico da agência. “É bom que o memorando esteja lá. Agora começa o trabalho técnico. É hora da AIEA se reunir com autoridades dos EUA e do Irã para começar a formular medidas concretas para lidar com o programa nuclear de Teerã”, afirmou.
A ONU já havia saudado o anúncio do acordo na última segunda-feira (15/06). Em postagem no X, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, parabenizou “calorosamente” os EUA e o Irã por terem chegado ao entendimento. Ele agradeceu ao Paquistão, Catar, Egito, Arábia Saudita, Turquia e outros países da região pela mediação.
Guterres disse também “esperar que as partes aproveitem esse impulso e redobrem os esforços para uma resolução final” e que “a ONU está pronta para apoiar os esforços em prol de uma paz duradoura e abrangente”.
























