O Pentágono admitiu que os ataques iranianos destruíram ou danificaram dezenas de aeronaves e centenas de estruturas utilizadas pelas forças norte-americanas no Oriente Médio entre 28 de fevereiro e 30 de junho.
As informações são do relatório Operação Fúria Épica, o mais abrangente balanço até agora, encaminhado ao Congresso norte-americano pelo Departamento de Defesa dos EUA, nesta segunda-feira (14/09).
A dimensão das perdas norte-americanas é muito superior à relatada anteriormente, enquanto Washington alegava que grande parte dos mísseis e drones iranianos havia sido interceptada.
Segundo o relatório, os ataques “danificaram e destruíram centenas de edifícios e estruturas” em instalações militares utilizadas pelos Estados Unidos no Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã e Jordânia.
Entre as aeronaves destruídas ou danificadas constam quatro caças F-15E, um F-35A, sete aviões-tanque KC-135 e até 30 drones MQ-9 Reaper. O balanço registra ainda perdas envolvendo outras aeronaves, drones e helicópteros.
Em relação às baixas militares, até 30 de junho, 417 militares dos Estados Unidos foram feridos em combate. Sete militares morreram em combate até a data e outros sete em eventos classificados como não hostis.
Em julho, outros quatro militares norte-americanos morreram em combate, totalizando pelo menos 18 mortes reconhecidas.

Os dados não contabilizam as perdas após a retomada das ofensivas de Washington em agosto, mas, até o final de junho, o Departamento de Defesa estimava em US$ 33,4 bilhões (R$ 171,9 bilhões) o custo da guerra.
Desse total, US$ 22,3 bilhões (R$ 114,8 bilhões) correspondem às munições empregadas nas operações militares. Segundo o relatório do inspetor-geral do Pentágono, “o emprego de munições na Operação Fúria Épica resultou em déficits estratégicos de estoque e revelou gargalos na base industrial para o reabastecimento de munições”.
O problema não se restringe à quantidade de armamentos disponível. O texto afirma que a expansão da capacidade de produção exige um “prazo considerável” e aponta gargalos persistentes na produção de motores de foguetes de combustível sólido, explosivos de alta potência e propelentes, além da disponibilidade de mão de obra industrial qualificada.
Segundo o Pentágono, diante das dificuldades, autoridades estão trabalhando para simplificar os processos de aquisição, reduzir os prazos de produção e acumular materiais críticos, componentes e determinadas munições para permitir uma resposta rápida a futuras contingências.
Em julho, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, alertou o Congresso de que, sem recursos suplementares, o Pentágono poderia enfrentar “déficits críticos”, solicitando US$ 67,1 bilhões (R$ 345,3 bilhões) adicionais, dos quais US$ 21 bilhões (R$ 108,1 bilhões)** seriam destinados a munições.
O reconhecimento oficial dos problemas nos estoques ocorre após o presidente norte-americano, Donald Trump, dizer que o país dispunha de munição “virtualmente ilimitada” e que estaria produzindo armas “mais sofisticadas e de elite do que em qualquer outro momento” de sua história.
Os ataques iranianos também atingiram instalações diplomáticas, como embaixadas, consulados, além de estruturas norte-americanas no Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, gerando danos de aproximadamente US$ 184 milhões (R$ 946,9 milhões).
O maior prejuízo ocorreu no Iraque, onde foram registrados mais de 600 ataques até o final de junho, com danos estimados em quase US$ 157 milhões (R$ 808 milhões). No Kuwait, os prejuízos chegaram a aproximadamente US$ 14,75 milhões (R$ 75,9 milhões).
Na Arábia Saudita, dois drones iranianos atingiram a Embaixada dos Estados Unidos em Riad, em 3 de março, com danos materiais estimados em cerca de US$ 11,5 milhões (R$ 59,2 milhões). O Consulado-Geral dos Estados Unidos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, também foi atingido.