Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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O Pentágono submeteu cerca de 50 integrantes do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos a testes de polígrafo em uma investigação para identificar quem teria fornecido informações sigilosas a jornalistas. A informação é do New York Times.

Segundo o jornal, a apuração, considerada excepcional, concentra-se especialmente em vazamentos sobre a guerra contra o Irã e sobre a redução dos estoques norte-americanos de munições consideradas estratégicas.

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Os testes foram realizados em agosto e envolveram militares e funcionários civis do Estado-Maior. De acordo com o NYT, os investigadores perguntaram se os servidores haviam transmitido informações classificadas à imprensa e se tinham fornecido dados sobre a diminuição dos estoques de armamentos, entre eles mísseis de longo alcance e interceptadores Patriot. Entre 1.500 e 2.000 oficiais e funcionários trabalham no Estado-Maior, o que dá a dimensão da amplitude da investigação.

Em nota ao jornal, o porta-voz do Departamento de Defesa, Sean Parnell, não confirmou detalhes da operação. Disse que o Pentágono “não comenta questões internas de pessoal ou investigações”, mas acrescentou que leva “extremamente a sério” qualquer vazamento de informações classificadas relacionadas à segurança nacional.

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Ainda segundo Parnell, “proteger informações classificadas é fundamental para garantir a segurança dos Estados Unidos e de nossas tropas mobilizadas em todo o mundo”.

Vazamentos expõem problema militar

A investigação ganhou força após uma sequência de reportagens sobre os efeitos da guerra com o Irã sobre a capacidade militar dos EUA. Em agosto, informações divulgadas à imprensa apontaram que o país havia consumido parcela significativa de seus estoques de armamentos de longo alcance.

A agência de notícias Reuters havia informado, citando fontes familiarizadas com dados militares, que o Exército norte-americano consumiu grande parte de seus mísseis de precisão lançados do solo durante os meses de guerra. A reportagem apontava que praticamente todos os ATACMS e Precision Strike Missiles (mísseis de ataque de precisão, em tradução literal) disponíveis haviam sido utilizados. O Pentágono não confirmou esses números.

Pentágono nos EUA
Segundo NYT, Pentágono investiga possíveis vazamentos de informações sobre estoque de munições
Touch Of Light / Wikimedia Commons

A disponibilidade de munições é um componente central da capacidade dos Estados Unidos de sustentar simultaneamente operações no Oriente Médio e compromissos militares em outras regiões, sobretudo diante das obrigações com aliados europeus e asiáticos.

O presidente Donald Trump reagiu às primeiras reportagens negando que os Estados Unidos enfrentam uma escassez generalizada. Segundo o New York Times, o republicano afirmou que o país possuía grandes quantidades de munição e ameaçou com prisão os responsáveis por vazamentos de informações sobre os estoques militares.

Já o periódico britânico Guardian informou que Trump também declarou que havia “grandes quantidades de munição” e que novos armamentos estavam sendo produzidos e enviados para a região.

Repercussão internacional

A dimensão da investigação chamou atenção de veículos internacionais, que destacaram não apenas a busca por informações classificadas, mas o ambiente de desconfiança instalado dentro do Departamento de Defesa. A emissora catari Al Jazeera classificou o episódio como uma investigação ampliada sobre vazamentos e destacou que os interrogatórios alcançaram cerca de 50 oficiais e funcionários civis.

A repercussão também ocorre no contexto de uma política mais ampla da administração Trump para restringir vazamentos dentro do governo. Em 2025, o Pentágono já havia anunciado medidas para reforçar o controle sobre informações internas, incluindo planos de testes aleatórios de polígrafo e acordos de confidencialidade para militares, funcionários civis e contratados.

A prática também não é inédita no governo do secretário de Defesa, Pete Hegseth. O Guardian informou em 2025 que assessores do secretário haviam utilizado testes de polígrafo para tentar identificar funcionários suspeitos de fornecer informações à imprensa, em uma iniciativa que provocou controvérsia dentro do próprio Pentágono.

O episódio atual ocorre em circunstâncias mais sensíveis. A guerra contra o Irã expôs o consumo acelerado de armamentos estadunidenses, enquanto o governo enfrenta críticas sobre a duração e os resultados da campanha militar. O Pentágono procura controlar um problema de segurança, apontam os analistas nas reportagens consultadas, mas também acaba transformando a busca por vazamentos em mecanismo de intimidação interna e de pressão sobre a imprensa.

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