Posição do Brasil em condenar guerra dos EUA e Israel contra Teerã é legítima, diz embaixador iraniano
Abdollah Nekounam Ghadiri afirmou que 'nações amigas' seguem com passagem liberada no Estreito de Ormuz
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, declarou que aprecia a posição legítima e reivindicatória do governo brasileiro na condenação da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Ghadiri também aproveitou para agradecer à população brasileira “por expressar sua solidariedade e apoio ao povo iraniano” através de mobilizações populares.
“Nós agradecemos as posições baseadas em princípios e a busca por direitos do governo brasileiro, que condenou os atos de agressão dos EUA e do regime sionista contra o Irã”, declarou à Opera Mundi em coletiva de imprensa nesta terça-feira (31/03).
O representante iraniano acrescentou que “nós acreditamos que uma posição e uma visão baseadas em princípios sobre os desdobramentos e acontecimentos internacionais são fundamentais e importantes”.
O embaixador trouxe um alerta de que atualmente há uma polarização entre países que buscam independência e países que perseguem sua integridade territorial.
“Há dois lados: países que buscam independência, liberdade e justiça em nível global. E, do outro lado, testemunhamos um eixo que busca a imposição pela força, a arrogância e a agressão contra outros. Esse é o eixo do mal, que impõe versões e invade os territórios alheios. E esse segundo eixo que foi mencionado é um eixo que não tem estabilidade, um eixo muito fragmentado”, denunciou.
Nesse cenário, o diplomata informou que as autoridades governamentais do Irã, assim como as autoridades militares, “estão se preparando para responder a esse pedido nacional, esse pedido do povo, para, de certa forma, uma resposta firme a esses dois regimes que desejam mudar a governabilidade de Teerã”.
“Devo dizer que nós tivemos uma visão e um plano estratégico antes dessa guerra acontecer, o que permitiu ao Irã retaliar em menos de duas horas depois que seu líder supremo foi assassinado junto com algumas autoridades. E a partir disso, os inimigos criaram condições de guerra”, acrescentou.
Em relação ao bloqueio do Estreito de Ormuz, Ghadiri é enfático: “a região não está fechada, e sim sob a nossa gestão estratégica”. Ele explicou que a população iraniana permitiu que todos pudessem “usar” o Estreito por anos de forma gratuita, porém, “com esses atos de agressão que o povo sofreu, foi necessário um novo formato administrativo”.
“Esse Estreito permanece aberto para nações amigas. Tanto que, no atual período de guerra, esses países conseguem passar seus navios pela rota. Mas, com veemência, nós dizemos que não vamos permitir quaisquer embarcações que pertençam ou tenham como destinatário os EUA e o regime sionista. Essas serão bloqueadas. E isso mostra exatamente a gestão inteligente do Irã nesta rota tão estratégica”, declarou.
O embaixador também afirmou que não permitirá que o ciclo de guerra, com cessar-fogo, negociação e guerra “aconteça novamente”. “Com certeza, o poder que pode acabar com esse ciclo tem a capacidade de estabelecer uma nova ordem na região. E os impactos dessa nova ordem na região vão, de certa forma, ser sentidos no mundo inteiro”, destacou.
























