A intensificação dos ataques entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz, incluindo bombardeios contra petroleiros e outras embarcações, vem elevando os preços do petróleo. Nesta quarta-feira (09/09), o Brent, referência internacional, chegou a US$ 100,95 (R$ 514,04) durante as negociações no pregão.
Por volta das 10h15 (horário de Brasília), o Brent foi cotado em US$ 100,66 (R$ 512,56), uma alta de 2,8%; enquanto o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançou 3%, para US$ 95,77 (R$ 487,66) por barril.
A elevação ocorre após vários navios mercantes terem sido atingidos nesta quarta-feira (09/09) pela Marinha iraniana em retaliação ao bombardeio norte-americano contra cinco petroleiros do país, no dia anterior. Segundo Teerã, pelo menos dez embarcações que tentaram atravessar ilegalmente a hidrovia foram atingidas.
Também foi confirmado um ataque a um petroleiro de bandeira panamenha, que transportava cerca de 2 milhões de barris de óleo combustível iraquiano, em águas territoriais do Iraque.
Além das agressões, de ambos os lados, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou que a zona marítima restrita será ampliada de Chabalhar (Irã) até partes do Golfo de Omã e do Mar Arábico. “Qualquer navio que passar pela área será sancionado”, afirmou o porta-voz da IRGC, acrescentando que as coordenadas exatas da região ainda serão divulgadas.

Segundo o New York Times, desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, os preços do petróleo acumularam uma alta de 40%. O pico foi registrado em 30 de abril, quando a commodity foi comercializada a US$ 126,41 (R$ 643,68) por barril.
Grandes bancos, ouvidos pelo jornal, elevaram suas projeções sobre o preço da commodity para os próximos meses. O Morgan Stanley previu que ele permaneça a US$ 100 (R$ 509,20) por barril no quarto trimestre deste ano. Já analistas do Bank of America afirmam que a ampliação do conflito, com grandes danos à infraestrutura energética, poderia elevar os preços para US$ 150 (R$ 763,80) por barril.
O tráfego de petróleo na região sofreu uma redução drástica. Segundo a Reuters, antes do fechamento do Estreito de Ormuz, a hidrovia respondia por cerca de 20% do fornecimento diário mundial de petróleo e gás natural liquefeito, com aproximadamente 125 embarcações diárias. Nesta terça-feira (08/09), apenas seis navios passaram pela hidrovia; na segunda-feira (07/09), foram nove e, nos últimos dez dias, 12.
Antes da guerra, 20 milhões de barris por dia de petróleo e produtos refinados passavam por Ormuz. Em agosto, antes da retomada dos ataques pelos Estados Unidos, o volume estava entre 8 milhões e 9 milhões de barris por dia. Agora, gira em torno de 2 milhões de barris diários.
A agência também destaca o aumento dos valor das operações comerciais: o prêmio adicional de risco de guerra, praticamente inexistente antes do conflito, pode chegar a 10% do valor da carga, o que equivale, a custos adicionais entre US$ 10 milhões (R$ 50,92 milhões) e US$ 20 milhões (R$ 101,84 milhões).