Rússia desmente principal justificativa para guerra: 'não há evidências de armas nucleares no Irã'
Chanceler Sergey Lavrov afirmou que AIEA e inteligência dos EUA confirmaram que programa nuclear iraniano era pacífico
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou nesta terça-feira (03/03) que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a inteligência dos Estados Unidos confirmaram que o Irã não estava tentando produzir armas nucleares – desmentindo a principal justificativa para a guerra.
Durante coletiva de imprensa conjunta com o vice-ministro das Relações Exteriores de Brunei, Erywan Yusof, Lavrov acrescentou: “Ainda não vemos nenhuma evidência de que o Irã estivesse desenvolvendo armas nucleares – o que era a principal, senão a única, justificativa para a guerra”.
O ministro afirmou que as consequências da agressão militar de Washington e Tel Aviv contra Teerã estão sendo sentidas em todo o Oriente Médio, onde, segundo Lavrov, uma “guerra virtual” está sendo travada. Ele observou que até países árabes da região estão “arcando com custos econômicos e algumas perdas humanas”.
Lavrov defendeu a cessação imediata das hostilidades por todas as partes. “Como primeiro passo, todos os esforços devem ser feitos para impedir quaisquer ações que causem vítimas civis, seja no Irã, onde mais de 150 meninas foram mortas em um ataque a uma escola, ou em qualquer outro país do Golfo”, declarou. Ele acrescentou que, em países árabes amigos, a infraestrutura civil também está sofrendo, e é essencial garantir que todas essas ações cessem.
A posição da China segue alinhada à da Rússia. Nesta terça-feira, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, declarou que Pequim pede o fim imediato da agressão militar dos EUA e de Israel contra o Irã e a retomada urgente do diálogo sobre o programa nuclear iraniano.
Mao enfatizou que “o renovado ataque de Washington a Teerã durante o processo de negociação viola o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais, o que levou a uma escalada repentina da situação no Oriente Médio“.
A porta-voz afirmou que a China respeita o direito do Irã ao uso pacífico da energia nuclear e que Pequim tem defendido consistentemente uma solução pacífica para a questão por meio do diálogo.
Mao Ning observou que Teerã tem declarado repetidamente que seu programa nuclear tem fins pacíficos. “Observamos que o Irã reiterou que não tem intenção de desenvolver armas nucleares e que recentemente manteve negociações sérias e sinceras com os Estados Unidos”, enfatizou.
A porta-voz concluiu afirmando que a questão nuclear iraniana deve retornar ao caminho da resolução política e diplomática. “Exigimos a cessação imediata das ações militares, a retomada rápida das negociações e a manutenção do sistema internacional de não proliferação nuclear, bem como a paz e a estabilidade no Oriente Médio e no mundo.”
























