Sábado, 11 de julho de 2026
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O vice-presidente do Conselho de Segurança e ex-presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, anunciou neste sábado (04/07) ter proposto a criação de uma plataforma multilateral composta por nações sujeitas a sanções ilegais dos Estados Unidos e da União Europeia, a fim de coordenar respostas econômicas conjuntas, o que incluiria a aplicação de “contra-sanções”. 

A fala à imprensa ocorreu após o encontro com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, sob a presença da delegação russa que incluiu o ministro da Energia Sergey Tsivilev e o vice-ministro das Relações Exteriores Georgy Borisenko. A equipe chegou a Teerã para participar das cerimônias fúnebres que homenageiam o ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, assassinado em 28 de fevereiro em ataques iniciados pelos Estados Unidos e Israel.

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De acordo com Medvedev, a proposta busca institucionalizar os esforços de defesa econômica de países como Rússia, Irã e China, que enfrentam severas restrições financeiras do Ocidente. 

“Podemos discutir a ideia de criar um tratado ou, pelo menos, uma plataforma onde os Estados sujeitos a sanções possam definir como contra-atacá-las e até mesmo introduzir contra-sanções”, afirmou.

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“O que são sanções ilegais? Essas são medidas não previstas pela Carta das Nações Unidas ou por outros tratados internacionais. Todas as sanções impostas contra Moscou são, na verdade, medidas ilegais. Por isso nem sequer chamamos isso de sanções. São apenas restrições ilegais unilaterais”, acrescentou.

O alto funcionário russo lembrou que Moscou e Teerã já têm um tratado de parceria estratégica abrangente, em uma aliança que se materializa em projetos nas áreas econômica, social, de transporte, segurança e cooperação militar-técnica, além de manter um sólido acordo de votos nas Nações Unidas (ONU) e em fóruns regionais de integração, como a Organização de Cooperação de Xangai (OCS).

Vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, e presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, durante encontro em Teerã
Oleg Molchanov/TASS

Negociações

Em relação ao contexto geopolítico, Medvedev enfatizou que o governo iraniano demonstrou que possui uma “arma” estratégica, diferente do desenvolvimento das capacidades nucleares, que é o controle operacional sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável pelo transporte de quase um quinto do petróleo mundial.

Em sua avaliação, ao bloquear efetivamente o movimento de países inimigos pelo Ormuz, o Irã demonstrou sua força à comunidade internacional, reconfigurando os termos das discussões sobre a futura operação dessa via marítima.

Quanto ao desenvolvimento das negociações de paz entre Irã e Estados Unidos, o vice-presidente do Conselho de Segurança russo previu um processo “extremamente difícil”, em especial referente aos pontos críticos como a retirada definitiva das sanções ocidentais e a alocação de fundos internacionais para a sua reconstrução.

De acordo com Medvedev, as complexidades aumentaram porque os entendimentos anteriores estavam desprovidos de obrigações legais vinculativas para as partes. No entanto, reconheceu que o recente documento preliminar estabelece as bases necessárias para negociações futuras, pois abrange cláusulas sobre a segurança do estreito, a dimensão militar do conflito, a cessação das agressões nas áreas fronteiriças vizinhas e a própria questão nuclear iraniana.

“Negociações são sempre melhores do que a ausência deles, mas precisam terminar em algo”, concluiu.

(*) Com TASS e Telesur