Quinta-feira, 9 de julho de 2026
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O Irã estabelecerá um canal de comunicação com os Estados Unidos para tratar das violações do memorando de entendimento, disse o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, nesta quarta-feira (01/06), após conversas técnicas indiretas realizadas no Catar. O acordo foi assinado há duas semanas pelos presidentes de ambos os países visando reduzir a escalada de agressões no Oriente Médio.

Gharibabadi, principal negociador nuclear do Irã, disse que as conversas trilaterais em Doha, mediadas por representantes do Catar e do Paquistão, concentraram-se nas violações do Memorando de Entendimento de Islamabad pelos Estados Unidos, particularmente em relação ao cessar-fogo no Líbano, observando que um grupo de trabalho foi formado para monitorar a implementação do acordo.

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Ele explicou que a delegação iraniana em Doha começou a manhã da quarta-feira (01/06) com conversas com o primeiro-ministro e o ministro das Relações Exteriores do Catar, após as delegações do Irã, Catar e Paquistão realizarem duas reuniões.

“A delegação iraniana levantou e examinou as violações dos EUA aos seus compromissos ao abrigo da cláusula 1 do memorando de entendimento relativo à cessação da guerra no Líbano, os relatórios sobre os esforços dos EUA para reforçar o equipamento e as forças na região, e algumas declarações ameaçadoras e intervencionistas por parte de funcionários dos EUA”, disse Kazem Gharibabadi.

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Fundos congelados

O lado iraniano enfatizou que os compromissos do memorando formam um pacote integrado e não podem ser considerados separadamente. Segundo o vice-ministro iraniano, foi estabelecido um canal de comunicação direto para o grupo de monitoramento . “Quaisquer deficiências na implementação do memorando serão relatadas, discutidas e abordadas de forma formal e documentada”, afirmou.

Gharibabadi também realizou reuniões separadas com autoridades do Catar, incluindo representantes do Banco Central, para discutir a liberação de alguns dos ativos congelados do Irã.

“Em reuniões com autoridades do Catar, incluindo o Banco Central, foram examinadas algumas questões relacionadas à destinação de parte dos US$ 6 bilhões (R$ 31 bilhões) iniciais, e decidiu-se que, de acordo com as necessidades anunciadas pelo nosso país, a compra dos bens necessários seria realizada e disponibilizada ao Irã”, afirmou ele.

Gharibadadi anunciou canal de comunicação com Washington para tratar de violações do acordo
Agência Tasnim

Reuniões indiretas

Paralelamente à agenda da delegação iraniana em Doha, a delegação dos EUA, chefiada por Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados do presidente Donald Trump, realizou reuniões com altos funcionários do Catar, incluindo o emir Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani e o primeiro-ministro Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani.

As partes esclareceram que não houve conversas diretas entre os Estados Unidos e o Irã. “Não houve reunião em Doha entre a delegação iraniana e a delegação norte-americana”, confirmou Gharibabadi ao final do encontro, que ocorre após duas trocas de tiros nos últimos dias , seguidas por um acordo para cessar os ataques e realizar negociações no Catar.

O Memorando de Entendimento de Islamabad foi assinado eletronicamente em 18 de junho de 2026 pelos presidentes Masoud Pezeshkian e Donald Trump, com o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif atuando como mediador. O documento de 14 pontos pôs fim à guerra de agressão entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, que havia começado em 28 de fevereiro.

Nos termos do memorando de entendimento, ambas as partes declararam a “cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”. O Irã concordou em suspender temporariamente as restrições no Estreito de Ormuz, enquanto os Estados Unidos se comprometeram a suspender o bloqueio naval em 30 dias.

Ambas as partes também se comprometeram a chegar a um acordo final num prazo máximo de 60 dias, período durante o qual serão realizadas negociações para se chegar a um consenso sobre diversos pontos em que persistem as divergências.

‘Progressos’

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar afirmou que houve “progressos positivos” em questões relacionadas ao memorando após uma reunião em Doha. “As partes concordaram em continuar as negociações no próximo período, com a próxima reunião agendada o mais breve possível após os cortejos fúnebres do ex-líder supremo iraniano”, disse o porta-voz em um comunicado divulgado na plataforma X.

Nesta quarta-feira (01/06), o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou a repórteres durante uma visita a Virginia Beach que não pode garantir que Washington não retornará aos combates antes do prazo do memorando de entendimento. “Não posso me comprometer com nada, porque obviamente depende do que os iranianos farão no final das contas”, declarou.

Após relatos da reunião positiva, com conversas indiretas em Doha, os preços do petróleo reagiram positivamente na quarta-feira (01/06), caindo aproximadamente 2% para níveis mais baixos desde fevereiro.

O preço do petróleo Brent para entrega em setembro caiu 1,87%, para US$ 71,57, no fechamento do pregão no mercado futuro de Londres. O petróleo de referência do Mar do Norte recuou US$ 1,35 no final do dia na Intercontinental Exchange (ICE) em Londres, em comparação com o preço de fechamento da sessão anterior, de US$ 72,92.

A empresa de rastreamento marítimo Tanker Trackers informou na quarta-feira que o Irã exportou 50 milhões de barris de petróleo desde que o bloqueio americano aos portos iranianos foi suspenso há duas semanas, em virtude do memorando de entendimento entre o Irã e os Estados Unidos.

Esse montante equivale a 1,66 milhão de barris por dia (bpd) em junho, enquanto a maioria das outras nações da região ainda não atingiu os níveis de exportação pré-guerra, observou a empresa de monitoramento.

‘Preço premium’

Os dados marítimos da Kpler corroboram os relatos sobre o tráfego de petróleo, com números divulgados em 25 de junho mostrando que o movimento de petróleo pelo Estreito de Ormuz atingiu seu pico desde o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, no final de fevereiro.

A República Islâmica agora cobra um preço premium por suas exportações de energia, com o negociador-chefe e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, relatando que o petróleo bruto está sendo vendido por aproximadamente 20% acima dos níveis pré-guerra.

Ghalibaf afirmou em entrevista à televisão estatal iraniana que o país estava “verdadeiramente impossibilitado de exportar sequer um barril de petróleo” durante o bloqueio naval americano de aproximadamente 60 dias, que paralisou o tráfego marítimo.

Esse aumento coincide com o progresso gradual das negociações sobre o memorando de entendimento recém-assinado.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al-Busaidi, afirmou que apoia uma proposta iraniana de impor “taxas de serviço” aos navios que navegam pelo Estreito de Ormuz.

Al-Busaidi esclareceu que essas taxas de serviço voluntárias financiariam esforços vitais de segurança marítima, controle da poluição e resposta a emergências, inspirando-se em estruturas já existentes utilizadas no Estreito de Malaca e em Singapura.