O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou nesta terça-feira (29/09) que as negociações com os Estados Unidos parecem estar “mais sérias” desta vez.
Teerã apresentou uma proposta de cessar-fogo na semana passada e aguarda a resposta da Casa Branca. Segundo Araghchi, as negociações realizadas por intermédio do Paquistão e do Catar levaram muito tempo nas rodadas anteriores, mas agora a expectativa é de avanços mais rápidos.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian também se manifestou. Ele reiterou que o país está disposto a negociar sobre seu programa nuclear e outras questões, mas rejeitou qualquer acordo baseado em “intimidação ou coerção”.
“O Irã não busca a guerra, mas se defenderá contra pressões, ameaças e ataques”, acrescentou, ao lembrar que o país já concordou diversas vezes que não irá “desenvolver armas nucleares”.
No sábado (26/09), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a proposta iraniana “não era aceitável”, mas que estava aberto às negociações.
Nesta segunda-feira (28/09), a Axios e a CNN afirmaram, citando autoridades norte-americanas, que o governo estaria disposto a aliviar sanções e liberar fundos iranianos caso Teerã demonstrasse “progresso concreto” na questão nuclear. Trump, no entanto, negou: “isso não é verdade. Eu não ofereci NADA a eles”, escreveu na Truth Social.

Em paralelo às negociações, o brigadeiro-general Hossein Mohebbi afirmou que o Irã continua desenvolvendo novas armas, modernizando equipamentos existentes e produzindo sistemas de defesa em larga escala.
Segundo ele, o país utiliza “todas as tecnologias disponíveis no mundo” para proteger seu território e sua população e “levará novas armas para o campo de batalha” caso a guerra “assuma uma forma diferente”.
Mohebbi também afirmou que as bases militares norte-americanas na região “não conseguiam nem se defender” e que a maioria delas estaria “completamente inutilizável”.
Ele acrescentou que Washington não conseguirá interromper as “rotas de comunicação e os laços de longa data” entre o Irã e seus vizinhos. De acordo com o militar, os países da região perceberam que a presença de bases americanas em seus territórios “causa insegurança”.
“Os Estados Unidos não têm outra opção a não ser admitir a derrota e deixar a região, e nossa campanha terminará com esse resultado”, afirmou o general.