O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã ao defender a “aniquilação” do país como caminho para alcançar a paz. Em entrevista à revista Time, publicada nesta quinta-feira (01/10), o republicano afirmou não acreditar na possibilidade de uma solução pacífica com Teerã e vinculou diretamente a destruição do país à estabilidade mundial.
“Porque, ao aniquilar o Irã, teremos trazido paz ao mundo. Com o Irã, não acredito que algum dia seja possível alcançar a paz”, afirmou Trump ao ser questionado sobre a contradição entre suas continuas ameaças contra o país e a autodenominação de “presidente da paz”. O mandatário norte-americano também disse que “é possível” a retomada dos bombardeios após as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, em 3 novembro.
As declarações ocorrem em meio a uma expressiva movimentação militar norte-americana no Oriente Médio, incluindo o envio de um terceiro porta-aviões para as águas próximas ao Irã. Segundo autoridade norte-americana ouvida pela Al Jazeera, o grupo de ataque do USS Theodore Roosevelt deixou sua base em San Diego no último domingo (27/09), com destino à região.
Um dia depois, também partiu o grupo anfíbio liderado pelo USS Makin Island, transportando mais de 2 mil fuzileiros navais. Segundo a autoridade, até o fim de novembro, três porta-aviões e dois grupos anfíbios de desembarque estarão posicionados nas proximidades do Irã. Ele acrescentou que a concentração das forças ampliaria as alternativas militares disponíveis a Trump caso ele decida ordenar uma nova ofensiva.
O novo deslocamento pode envolver ainda entre 9 mil e 10 mil militares adicionais, entre marinheiros e fuzileiros navais, afirma a reportagem. Este contingente se somará aos cerca de 50 mil militares norte-americanos que já estão na região, além do reforço do poder aéreo, incluindo caças F-35.

A demonstração de força ocorre enquanto Washington e Teerã mantêm aberta uma frente diplomática para tentar encerrar a guerra, que entra no oitavo mês. O Irã apresentou, por intermédio do Catar, um roteiro que previa a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada das negociações nucleares em troca do fim do bloqueio naval norte-americano, alívio das sanções e um cessar-fogo regional que abrangesse também Líbano e Iêmen. Trump rejeitou a proposta.
Mesmo um eventual acordo com Teerã não deverá resultar, ao menos de imediato, na retirada do reforço militar. Fontes do Pentágono e da Casa Branca disseram à Al Jazeera que a estratégia é preservar a capacidade de ação dos Estados Unidos independentemente do rumo das negociações.
Do lado iraniano, o chanceler Abbas Araghchi afirmou que o Irã está preparado tanto para uma retomada dos confrontos quanto para seguir pela via diplomática. “Estamos totalmente preparados para a retomada da guerra. Permaneceremos firmes diante de qualquer nova agressão, mesmo que chegue a uma guerra apocalíptica”, declarou em entrevista à NBC News, no domingo (27/09). “Ao mesmo tempo, estamos prontos para a diplomacia. Cabe ao presidente Trump escolher”, acrescentou.
Segundo informações obtidas pela Reuters, autoridades iranianas também preparam uma resposta mais ampla e contundente caso os Estados Unidos retomem ataques militares em grande escala, enquanto comandantes avaliam possíveis alvos, a dimensão e o momento de uma eventual retaliação.
A escalada ocorre ainda em um cenário de crescente rejeição à guerra nos Estados Unidos. Pesquisa AP-NORC citada pela Al Jazeera aponta que quase 70% dos norte-americanos consideram que o conflito não valeu a pena.
Em paralelo, Washington vem pressionando os países europeus a liberarem suas reservas estratégicas para conter os preços dos combustíveis. Nesta sexta-feira (02/10) a União Europeia rejeitou a ameaça dos Estados Unidos de suspender as exportações de diesel caso os países europeus não adotem a medida.
“Rejeitamos totalmente qualquer proibição sobre o diesel. Uma proibição não seria benéfica para ninguém. Isso minaria nossa confiança nos Estados Unidos como um parceiro confiável”, afirmou a porta-voz da Comissão Europeia Anna-Kaisa Itkonen, durante uma reunião com representantes dos países do bloco.
Segundo Bruxelas, o abastecimento permanece estável entre os países do bloco, apesar dos preços elevados. A França propôs a liberação de 50 milhões de barris de diesel pelos países europeus e de outros 50 milhões de barris de petróleo bruto por integrantes da Agência Internacional de Energia.
A pressão de Trump vem atingindo especialmente a França e a Alemanha. Segundo a Reuters, Washington teria advertido os dois países de que poderá restringir suas exportações de diesel. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também cobrou que os países europeus disponibilizem suas reservas “imediatamente”.
A crise também atingiu o Reino Unido, onde o litro do diesel atingiu nesta sexta-feira a cerca de 2 libras. O governo britânico afirma, no entanto, que não há risco imediato de desabastecimento e que Londres dispõe de estoques emergenciais.