Trump afirma que acordo com Irã 'acabou': 'não quero mais negociar'
Vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, reiterou controle de Teerã sobre Estreito de Ormuz e disse que 'medidas decisivas' serão adotadas contra ataques de Washington
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (08/07), durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em Ancara, que o memorando de entendimento (MoU), firmado entre Washington e Teerã, está encerrado. “No que me diz respeito, acabou”, disse.
“Não quero mais negociar com eles, são escória. São pessoas doentes, são pessoas cruéis e violentas. Para mim, lidar com eles é uma perda de tempo. São mentirosos. Há algo de errado com eles. São malucos. Para mim, acabou”, afirmou o mandatário dos Estados Unidos.
A declaração ocorre, após as forças militares norte-americanas terem lançado bombas contra três navios mercantes que transitavam pelo Estreito de Ormuz. Ataques também foram registrados contra cidades portuárias iranianas na noite desta terça-feira (07/07).
Trump, no entanto, deixou aberta a possibilidade de novas conversas diplomáticas. “Vou falar com nossos negociadores, eles querem negociar. São pessoas boas, Steve Witkoff, Jared Kushner, mas eles precisam voltar a falar comigo. Para mim, é uma perda de tempo lidar com eles [Irã]”.
A declaração do presidente norte-americano ocorreu após a chancelaria iraniana condenar os ataques de Washington e classificar o memorando como “ineficaz”, citando outras violações ao tratado firmado, pelos dois países, em meados de junho. Nesta manhã, o Irã contra-atacou os Estados Unidos, atingindo suas bases militares no Bahrein e no Kuwait.

Trump encerra acordo com Irã: ‘acabou, não quero mais negociar’
Molly Riley / White House
‘Medidas decisivas’
Nesta quarta-feira (08/07), o vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, afirmou que o Irã adotará “medidas decisivas” para proteger a segurança nacional do país, após os recentes bombardeios e a retomada do embargo às exportações de petróleo iraniano pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Ele frisou que Washington violou repetidamente os artigos 1 e 2 do memorando, que determinavam respeito à soberania iraniana e a suspensão das hostilidades militares. “O Irã, ao mesmo tempo que emite um sério alerta sobre as consequências do descumprimento do acordo por parte dos Estados Unidos, tomará medidas decisivas para salvaguardar seus interesses e segurança nacionais”, afirmou o diplomata.
O texto classifica a reativação das sanções petrolíferas como “mais um exemplo de má-fé, instabilidade e falta de confiabilidade” da Casa Branca. Caso as hostilidades continuem, Teerã poderá atacar infraestruturas dos Estados Unidos, de Israel e de parceiros árabes, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, Jordânia e Catar, diz o texto.
O governo iraniano também declarou que pretende impedir, por um longo período, o acesso dos Estados Unidos e de seus aliados ao petróleo e ao gás da região. Gharibabadi também reiterou que “o Estreito de Ormuz está sob o controle do Irã” e sustentou que a segurança do Golfo Pérsico não depende das diretrizes do comando militar norte-americano.
Israel
Após as declarações de Trump, uma fonte militar israelense afirmou ao veículo de imprensa israelense Maariv que “as Forças de Defesa de Israel (IDF) estão preparadas para qualquer desenvolvimento no Irã”.
“Estamos nos mesmos níveis de alerta e prontidão de ontem e anteontem. Se formos obrigados a agir, seja no ataque ou na defesa, estamos prontos”, acrescentou.
Segundo a fonte, “neste momento, são os norte-americanos que estão conduzindo as negociações, e foram eles também que agiram no Irã ontem à noite”.
























