Trump diz que acordo de paz será assinado no domingo; Irã nega e fala em 'cautela'
Presidente dos EUA também alegou que iranianos 'não querem mais arma nuclear'; mais cedo, Teerã informou que memorando não abordaria questão nuclear
Matéria atualizada às 17h14
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar que o acordo de paz com o Irã será fechado neste domingo (14/06), horas após a chancelaria do país persa descartar uma possível assinatura para este fim de semana. Em publicação na plataforma Truth Social, o republicana disse que o documento será uma “muralha” para impedir que Teerã obtenha armas nucleares.
“O acordo está previsto para ser assinado amanhã [14] e, imediatamente após a assinatura, o Estreito de Ormuz estará aberto a todos. Nossa relação com o Irã é muito diferente e melhor do que as administrações anteriores”, escreveu. “Eles não querem mais uma arma nuclear, nem a terão, seja por compra, desenvolvimento ou qualquer outra forma de aquisição”.
O mandatário norte-americano ainda acrescentou que, “quando tudo estiver calmo”, Washington irá “remover e destruir” a “poeira nuclear” gerada pelos ataques do ano passado contra instalações de energia atômica na República Islâmica.
“Esperamos trabalhar com o Irã e com todo o Oriente Médio por muitos anos. Esperamos que todo esse processo se resolva de forma rápida, fácil e tranquila. Caso contrário, temos a alternativa definitiva, que esperamos que nunca mais precise ser usada”, salientou.
Mais cedo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, havia dito que o acordo de com os Estados Unidos não seria assinado no domingo, desmentindo a alegação do presidente norte-americano de sexta-feira de que uma eventual assinatura seria realizada neste fim de semana. Não descartou, no entanto, que poderia acontecer nos “próximos dias”, de acordo com a agência Irna.
“O memorando de Islamabad foca em encerrar a guerra e, neste momento, foi decidido que não haverá discussão sobre a questão nuclear”, disse referente ao documento negociado sob a mediação do Paquistão, em contraste com as declarações de Trump.
“Devemos esperar o momento exato da assinatura do memorando. Embora não seja amanhã (domingo), a possibilidade de isso acontecer nos próximos dias não está descartada. No entanto, devido à instabilidade da outra parte, devemos ter cautela com quaisquer declarações sobre esse processo”, acrescentou.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que o acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos não será assinado no domingo (14/06)
IRNA
Em publicação neste sábado, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, informou que os países envolvidos na guerra em curso estavam “mais próximos de um acordo de paz do que nunca antes”.
“Com a finalização provavelmente esperada nas próximas 24 horas, o Paquistão está se preparando para a assinatura eletrônica do acordo de paz imediatamente depois, seguida por conversas em nível técnico na próxima semana”, escreveu o premiê na plataforma X.
We are closer to a peace deal than ever before. With finalisation likely expected in the next 24 hours, Pakistan is preparing for the electronic signing of the peace deal immediately after, followed by technical level talks next week.
We would like to thank United States of…
— Shehbaz Sharif (@CMShehbaz) June 13, 2026
Posteriormente, a autoridade paquistanesa afirmou que um acordo de paz está “pronto para assinatura” e pode ser finalizado “muito em breve”. Segundo o comunicado do gabinete de Sharif, as declarações ocorreram durante uma ligação telefônica com o primeiro-ministro do Catar e ministro das Relações Exteriores, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani.
À emissora Al Arabiya, uma fonte de alto escalão também declarou que o memorando de entendimento entre Washington e Teerã será assinado “à distância” e que o encontro previsto em Genebra, na Suíça, foi adiado sem data definida.
Na última quinta-feira (11/06), o presidente norte-americano Donald Trump suspendeu uma nova onda de ataques contra o país persa devido à perspectiva de um acordo iminente com a República Islâmica. Já na madrugada deste sábado, o Comando Central dos Estados Unidos anunciou ter abatido “drones de ataque iranianos” que tentavam atingir navios comerciais no Estreito de Ormuz, rota crucial para o escoamento da produção de petróleo do Golfo Pérsico e que está parcialmente bloqueada por Teerã desde 28 de fevereiro em represália aos ataques iniciados por Washington e Tel Aviv.
(*) Com Ansa
























