Trump lamenta morte de soldados e diz 'não se importar' com suspensão de acordo pelo Irã
Teerã ataca bases no Kuwait e impedem passagem de quatro navios pelo Estreito de Ormuz; EUA atingem usina nuclear em construção
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lamentou neste domingo (19/07) a morte de dois soldados norte-americanos em um ataque iraniano contra uma base militar do país na Jordânia. “Foi uma coisa muito triste. Lamentamos muito que isso tenha acontecido. Foi em serviço ao nosso país”, declarou à NewsNation.
Trump também minimizou a decisão iraniana de abandonar o memorando de entendimento, firmado entre os dois países em junho. Neste sábado (18/08), o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que “os Estados Unidos violaram e suspenderam todos os seus compromissos no âmbito do Memorando de Entendimento de Islamabad, como resultado, também suspendemos todos os nossos compromissos”.
Ao ser questionado sobre a decisão iraniana, Trump respondeu: “não me importo nem um pouco”, reiterando que o objetivo de Washington é “nunca permitir que o Irã tenha uma arma nuclear”.
Já em entrevista ao New York Post, o mandatário norte-americano rebateu as fortes críticas de parlamentares democratas, que o responsabilizaram pelas baixas militares. “Você já se perguntou quantas pessoas morreram no Vietnã? Você já se perguntou quantas pessoas morreram no Afeganistão em um único dia? Em um único dia, sob a liderança de Joe ‘Sonolento’ Biden?”, disse.
“É uma pena, mas, neste caso, eles morreram porque não queriam que o Irã tivesse uma arma nuclear e não queriam que o Oriente Médio explodisse”, acrescentou.
O presidente norte-americano também defendeu, em postagem na sua Truth Social, que os republicanos incluam o Irã no projeto de lei de sanções contra a Rússia. A proposta prevê tarifas de até 500% sobre países que mantenham negócios com o setor energético russo. “Era isso que Lindsey queria fazer, e ia acontecer. Importante”, escreveu, referindo-se ao senador Lindsey Graham, falecido no último dia 11 de julho.

Teerã ataca bases no Kuwait e impedem passagem de quatro navios pelo Estreito de Ormuz; EUA atingem usina nuclear em construção
Daniel Torok/ White House
EUA atacam usina nuclear em construção
Na madrugada deste domingo, os Estados Unidos bombardearam a usina nuclear de Darkhovin, ainda em construção, na província de Khuzistão, em uma região próxima à fronteira com o Iraque.
A Organização de Energia Atômica do Irã classificou a ofensiva como um “ato agressivo e bárbaro em violação do direito internacional”, acusando Washington de atacar “um dos símbolos da dignidade e da autossuficiência científica da nação iraniana”.
O bombardeio ocorre poucos meses após o presidente da entidade, Mohammad Eslami, apresentar um protesto formal ao diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, contra os ataques anteriores realizados por Estados Unidos e Israel nas proximidades da Unidade 1 da usina nuclear de Bushehr.
Na ocasião, Eslami advertiu que ofensivas repetidas contra instalações nucleares protegidas poderiam comprometer a segurança dos reatores e provocar liberações radioativas com consequências potencialmente catastróficas para toda a região.
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) também afirmou ter abatido um drone norte-americano MQ-9 na cidade de Ahvaz, também em Khuzistão.
Irã ataca instalações no Kuwait e embarcações em Ormuz
O Irã ampliou sua ofensiva contra alvos na região do Golfo. Segundo autoridades iranianas, um ataque em larga escala com drones atingiu um depósito de munições e sistemas de radar de defesa aérea no Kuwait.
O Ministério da Eletricidade, Água e Energias Renováveis do Kuwait informou que uma usina de geração de energia e dessalinização foi atingida pela segunda vez em dois dias, provocando incêndios em parte das instalações.
O governo iraniano justificou a escalada, lembrando que bombardeios norte-americanos recentes destruíram uma estação de tratamento de água no sul do Irã, deixando cerca de 10 mil pessoas sem abastecimento.
No Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte mundial de petróleo, a Guarda Revolucionária anunciou ter impedido a passagem de embarcações que, segundo Teerã, tentavam navegar por rotas não autorizadas.
Segundo a corporação, quatro navios desligaram seus sistemas de navegação e ignoraram os avisos das autoridades iranianas. Dois deles sofreram “incidentes” e foram detidos, enquanto os outros dois desistiram da travessia.
A força naval da IRGC reiterou que “o controle da passagem marítima está inteiramente sob sua autoridade” e advertiu que “nem uma única gota de petróleo, gás ou fertilizante químico passará pelo Estreito de Ormuz sem coordenação e autorização”. Também alertou que embarcações que seguirem rotas consideradas inseguras “certamente sofrerão contratempos”.























