O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (28/09) que autoridades de seu governo mantiveram contatos com mediadores envolvidos nos esforços para encerrar a guerra contra o Irã.
O mandatário norte-americano disse ainda acreditar que o conflito chegará ao fim “muito em breve” e afirmou que os preços da gasolina nos Estados Unidos cairão significativamente após uma vitória estadunidense. “Vamos vencer. Para mim, será de um jeito ou de outro. Vai ser bem rápido”, declarou Trump a jornalistas no Salão Oval.
Porém, a declaração ocorre em meio à negativa de Teerã sobre a existência de novas negociações com Washington. Segundo a agência iraniana IRNA, não há conversas previstas entre os dois países. O governo iraniano afirma que suas exigências para colocar fim ao conflito já foram apresentadas.
A posição iraniana foi divulgada um dia depois de Trump afirmar que esperava novos contatos com Teerã ainda nesta semana. Em entrevista ao site Axios, o presidente norte-americano disse que o Irã estaria interessado em um acordo, mas que as condições apresentadas até agora não correspondem ao que Washington pretende.
Segundo informações divulgadas pelo periódico, uma nova rodada de negociações indiretas poderia ocorrer nesta semana, com participação do Catar como mediador. A agência IRNA, entretanto, afirma que não há negociações programadas entre os dois países.
A delegação iraniana que participou da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, deve retornar ao Irã nesta terça-feira (29/09).
No sábado (26/09), Trump disse ter recusado uma proposta apresentada por mediadores do Catar para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz em um prazo de sete dias. O presidente norte-americano afirmou, sem apresentar evidências, que Teerã estaria tentando obter um acordo para liberar imediatamente a passagem devido às dificuldades enfrentadas na guerra.
No domingo (27/09), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que seu país continua interessado em uma solução diplomática. Segundo ele, Washington ainda não havia enviado uma resposta oficial às condições apresentadas por Teerã.

Araghchi afirmou que uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz dependerá do cumprimento das condições estabelecidas pelo Irã. O chanceler também disse que Teerã aguarda dos mediadores as posições definitivas de Washington antes de tomar uma decisão.
Os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval contra portos iranianos, enquanto ataques atribuídos ao Irã contra embarcações reduziram o tráfego pelo Estreito de Ormuz. Trump afirma que Washington controla a passagem, mas a alegação é contestada pelo governo iraniano.
O comandante-chefe do Exército do Irã, Amir Hatam, classificou o atual momento do conflito como uma fase “crítica e decisiva”. Ele afirmou que Teerã não aceitará restrições à venda de seus produtos enquanto outros países continuarem utilizando rotas alternativas na região.
Além disso, a China, principal compradora do petróleo iraniano, também defende a retomada das negociações. Conforme a agência estatal Xinhua, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou a Trump durante um encontro na semana passada que esperava que americanos e iranianos voltassem ao diálogo “o mais rápido possível”.