Quarta-feira, 1 de abril de 2026
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Os governos do Canadá e da Austrália condenaram veementemente os planos de Israel de ocupar o sul do Líbano e alertaram que a soberania e a integridade territorial libanesas “não devem ser violadas”, em meio aos planos das forças israelenses de realizar uma grande invasão terrestre em seu vizinho do norte.

Expressando “solidariedade” ao governo e ao povo libanês, o Ministério das Relações Exteriores canadense afirmou nesta quarta-feira (25/03) que todos os lados envolvidos no conflito devem “agir de acordo com o direito internacional”.

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“Instamos todas as partes a protegerem os civis e a se absterem de ataques contra infraestruturas, profissionais de saúde e forças de paz”, diz o ministério de acordo com a Al Jazeera.

Penny Wong, ministra das Relações Exteriores da Austrália, segundo Guardian, disse ao seu homólogo israelense que também apoia a soberania do Líbano e não deseja ver a parte sul do país ocupada por Israel, após o governo Netanyahu revelar planos para criar uma “zona de proteção defensiva” contra o grupo armado Hezbollah, apoiado pelo Irã.

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Wong acrescentou que conversou com o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, na noite de terça-feira (24/03), para reiterar a condenação da Austrália ao Irã e a preocupação com o conflito em curso no Estreito de Ormuz.

Mas a primeira-ministra australiana, que já havia entrado em conflito com Sa’ar, manteve-se firme na oposição da Austrália a qualquer apropriação israelense de terras libanesas. “A Austrália está profundamente preocupada com a expansão do conflito no Líbano, a perda de vidas e o deslocamento de mais de um milhão de civis”, disse ela nesta quarta-feira.

“A Austrália apoia a soberania do Líbano – portanto, não queremos ver a ocupação do sul do Líbano por Israel“, acrescentou.

Na terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, também afirmou que Israel deveria desistir da planejada ocupação do sul do Líbano, alertando que tal medida teria um impacto devastador sobre os civis.

“Instamos as autoridades israelenses a se absterem de tais operações terrestres, que teriam graves consequências humanitárias e agravariam a situação já crítica do país”, disse Barrot à agência de notícias AFP.

Diante do cenário em que Estados Unidos e Israel travaram uma guerra contra o Irã em 28 de fevereiro, o Hezbollah declarou apoio a Teerã e prometeu vingança após a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Tel Aviv e a Resistência Islâmica estavam sob um frágil acordo de cessar-fogo firmado em 27 de novembro de 2024, mas os soldados israelenses continuaram bombardeando o território libanês.

Desde 2 de março, quando o Hezbollah entrou na ofensiva para defender o território e seus aliados, ao menos 1.072 civis morreram e três mil ficaram feridos. Mais de um milhão de pessoas também foram deslocadas forçadamente por semanas de ataques israelenses no sul e leste do país, bem como na capital, Beirute, enquanto alertas de uma crise humanitária são feitos em todos os níveis, à medida que a incursão terrestre de Israel se aproxima.