Quarta-feira, 13 de maio de 2026
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Doha Daher Bittar tentava limpar o chão da sua loja de lingerie atingida por estilhaços durante uma grande explosão, no início de abril, quando Israel lançou mais um ataque contra a região de Nabatieh, no sul do Líbano. Mesmo diante de um cenário de completa destruição, ela não perdeu a gentileza.

Em meio aos escombros, Bittar parou por alguns minutos para contar a Opera Mundi como tem sido recomeçar mais uma vez.

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“Esta é a minha loja de lingerie que existe há 35 anos”, disse enquanto mostrava as letras das iniciais do seu nome penduradas na fachada do estabelecimento. Durante a entrevista, a jovem libanesa perguntou por qual razão haveria de sair e não ficar ali. Questionava a si mesmo por que motivo deveria começar em outro lugar.

“A minha loja está aqui há uma vida inteira. Eu nunca vou abandoná-la”, ressaltou, ao lembrar dos ataques de 2024, período em que também teve que recomeçar. Ela acrescenta que, “na guerra passada, ficamos entre lonas e escombros, e, mesmo assim, abrimos e trabalhamos, passo a passo, com calma”.

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Desta vez, Bittar disse que, no segundo ou terceiro dia de ataques, o prédio logo atrás foi atingido por um bombardeio israelense, danificando o seu estabelecimento quase por completo. Enquanto um dos funcionários ajudava a varrer a calçada, perguntamos a ela o que esperar do futuro, que, a cada dia, parece mais incerto.

“Se Deus quiser, tudo vai se acertar. Vamos regressar com força, e Nabatieh vai voltar a ser como era antes. Todos nós amamos a vida, amamos viver”. Na despedida, Doha agradeceu a oportunidade de mostrar o que a sua cidade natal tem enfrentado e a resistência de seu povo: “obrigada, vocês nos honram com a sua presença”.

Não há cessar-fogo no Líbano

Nabatieh, cidade que também leva o nome do distrito, está localizada na parte leste do curso inferior do rio Litani, onde também está parte da chamada “linha amarela”, imposta arbitrariamente pelas forças de ocupação israelense no sul do Líbano. A reportagem de Opera Mundi esteve bem perto dessa fronteira, onde os estrondos das artilharias são constantes.

Doha Daher Bittar visita sua loja, que foi alvo de ataques lançados por Israel
Stefani Costa / Opera Mundi

Já na cidade de Yohmor, que também pertence ao distrito de Nabatieh, o exército israelesende bombardeou, na manhã de 1º de maio, o famoso sítio arqueológico do Castelo de Beaufort, uma fortaleza datada do século XII. Apesar dos fortes combates, esse é um dos poucos municípios da região ao norte do rio Litani que ainda não foi completamente capturado pelas forças de ocupação israelenses.

Na madrugada de sexta para sábado, Israel também lançou bombardeios de artilharia e fósforo branco sobre a cidade de Zawtar Al-Sharqiyeh, também no distrito de Nabatieh. De acordo com a imprensa local, hoje, a área ocupada por Israel no sul do Líbano abrange cerca de 602 quilômetros quadrados, cerca de 6% do território libanês, incluindo mais de 50 cidades e aldeias.

Segundo o presidente libanês Joseph Aoun, um acordo de paz duradoura só será possível mediante a retirada das tropas israelense do sul. Porém, tanto o chefe de Estado, como o primeiro-ministro, Nawaf Salam, têm recebido críticas de parte da população por insistir em negociar com Israel, enquanto civis continuam sendo mortos diariamente.

Escombros de edifícios atacados pelas forças israelenses em Nabatieh
Stefani Costa / Opera Mundi

 

Desde o dia 2 de março, quando os ataques do exército israelense se intensificaram contra o território libanês, 8.020 pessoas foram feridas e 2.586 foram assassinadas, entre elas, mulheres e mais de 170 crianças. Os dados são do Ministério da Saúde libanês, que diariamente atualiza as informações.

Mesmo sob cessar-fogo acordado no dia 16 de abril, o número de profissionais de saúde mortos já chega a 103, com mais de 115 ambulâncias atacadas e mais de 15 centros médicos danificados pelos bombardeios israelenses.

Além dos médicos, paramédicos e enfermeiros, mais de 20 jornalistas perderam suas vidas enquanto cumpriam o seu ofício. O caso mais emblemático foi o da jornalista Amal Khalil, que já recebia ameaças constantes da Mossad, serviços de inteligência de Israel, por denunciar os constantes crimes de guerra no sul do Líbano.