O Exército libanês exigiu o fim dos ataques de Israel no sul do Líbano e acusou Tel Aviv de impedir o avanço do acordo firmado entre os países, em 26 de junho. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (09/09), as Forças Armadas libanesas denunciam cerca de 7,7 mil violações do entendimento e declaram que a continuidade das ofensivas compromete o desdobramento de suas atividades nas regiões previstas pelo tratado.
“A continuação e a escalada desses ataques, juntamente com as brutais operações de demolição e bombardeio no sul, não deixam dúvidas sobre as intenções agressivas de Israel. Elas violam o direito internacional, ameaçam os entendimentos e acordos existentes, dificultam os esforços do Exército para estabelecer a estabilidade, constituindo uma violação flagrante da soberania e da segurança do Líbano”, afirma o comunicado.
O Exército libanês também observa que “as forças de ocupação israelenses não cumpriram o acordo” e realizaram cerca de 7.700 violações registradas entre sua assinatura em 26 de junho de 2026 e esta quarta-feira (09/09). O comunicado acrescenta, ainda, que militares israelenses chegaram a abrir fogo nas proximidades onde estavam soldados e patrulhas libanesas. Os ataques também provocaram uma nova onda de deslocamentos de civis em regiões que anteriormente eram consideradas seguras, denuncia o texto.
“Esses ataques e violações repetidos […] confirmaram que o objetivo de Israel é minar a credibilidade do Exército internamente e perante a comunidade internacional”, afirmam os militares. Segundo o Exército, a interrupção das ofensivas e das violações israelenses é crucial para as ações de suas tropas.
A denúncia ocorre após nova escalada dos ataques israelenses no sul do país. Em Kfar Roummane, no distrito de Nabatieh, 13 pessoas, incluindo integrantes de uma mesma família, morreram entre domingo e segunda-feira. Os ataques se intensificaram depois que Israel assumiu o controle da estratégica cordilheira de Ali Taher.

A divulgação do comunicado ocorreu após uma reunião de Segurança no país. O presidente libanês, Joseph Aoun, declarou que “qualquer vácuo de segurança no sul serve de pretexto para agressão e ataque à soberania nacional”. Ele acrescentou que a manutenção da segurança interna fortalece a posição do país nas negociações. “Optamos pela negociação porque somos um Estado soberano. Essa decisão foi tomada no interesse do Líbano e não para satisfazer ninguém no exterior”, declarou.
Aoun também disse que a lealdade dos libaneses deve estar voltada ao próprio país. “Quem busca o apoio de estrangeiros contra seus rivais internos perde, porque o estrangeiro acabará por abandoná-lo”, disse. “Nenhuma guerra no Líbano teve um vencedor: todos perderam, e o país com eles.”
O primeiro-ministro Nawaf Salam também respaldou a atuação das Forças Armadas no Líbano. “Saudamos os esforços do Exército Libanês e as medidas que está tomando para reforçar seu destacamento em vilarejos e cidades desocupadas, o que ajuda a tranquilizar os cidadãos, consolidar a estabilidade, facilitar o retorno dos moradores e garantir o bom funcionamento das instituições e serviços governamentais”, afirmou.
No comunicado, as Forças Armadas do Líbano também apresentaram um balanço das operações realizadas nas chamadas “zonas piloto” desde a assinatura do acordo. O entendimento prevê, ao final do processo, a retirada do Exército israelense do território libanês em troca do desarmamento do Hezbollah. Dois meses e meio após sua assinatura, porém, as partes continuam na primeira etapa, que abrange as localidades de Zawtar Gharbieh, Froun e Srifa.
“O Exército Libanês demonstrou sua plena prontidão para cumprir seus compromissos e começou a tomar as medidas necessárias para estabelecer o controle operacional nas áreas piloto, em coordenação com o Grupo de Coordenação Militar específico para o Líbano e de acordo com um plano preparado pelo Comando do Exército”, informa a instituição.
Segundo o balanço, foram instalados seis pontos de controle permanentes e 13 postos de observação nas estradas que levam às três localidades. As tropas também passaram a realizar patrulhas a pé e em veículos durante 24 horas por dia. “Unidades especializadas vêm removendo e confiscando armas, munições e explosivos e atuando para impedir a presença de grupos armados e atividades não autorizadas pela legislação libanesa”, diz o texto.
Ao todo, segundo o Exército libanês, foram confiscados cerca de 1.818 armamentos e munições. As Forças Armadas também afirmaram ter realizado buscas em residências “de acordo com a lei libanesa e com o consentimento dos proprietários”. As tropas também removeram escombros, reabriram aproximadamente 12 quilômetros de estradas e participaram da recuperação de corpos de vítimas, além de ações destinadas a permitir o retorno da população.
“Essas medidas permitiram ao Exército estabelecer o controle operacional e controlar a movimentação de entrada e saída da área de operações”, afirmou o comunicado. Em Zawtar Gharbieh, cerca de 70% dos moradores conseguiram retornar para inspecionar suas propriedades, mas somente 16% — aproximadamente 60 das 450 famílias — conseguiram voltar a viver na localidade. Segundo o Exército libanês, as forças israelenses destruíram completamente 85% das casas e danificaram parcialmente os 15% restantes.