G7 pede cessar-fogo imediato no Líbano em meio a ataques israelenses no sul do país
Potências afirmam que Teerã ‘jamais obterá arma nuclear’, exigem abertura de Ormuz e prometem ampliar esforços humanitários em Gaza
Os países membros do G7 pediram o cessar-fogo imediato no Líbano e classificaram o acordo anunciado entre Estados Unidos e Irã como uma “oportunidade histórica” para impedir que Teerã tenha armamento nuclear. O pedido integra a “Declaração dos líderes do G7 sobre questões geopolíticas“, divulgada nesta quarta-feira (17/06), último dia da cúpula realizada em Évian-les-Bains, na França.
“No Líbano, apoiamos, por meio de um cessar-fogo imediato e robusto, os esforços da liderança libanesa para alcançar o desarmamento do Hezbollah e o fim do monopólio das armas, e para proteger a integridade territorial e a soberania do Líbano com as garantias de segurança internacional adequadas”, afirmam os países do G7.
A declaração, que não cita Tel Aviv nenhuma vez, foi divulgada em meio à continuidade dos ataques israelenses contra o sul libanês. Segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano, aviões de guerra de Israel atacaram nesta quarta-feira (16/06) a cidade de Nabatieh al-Fawqa e, nesta quinta, um drone atingiu a localidade costeira de Ansariyeh. Segundo as Forças Armadas do Irã, 84 violações ao cessar-fogo foram realizadas pelas forças israelenses desde domingo (14/06), quando o acordo foi anunciado.
O comunicado do G7 também menciona a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, em um breve parágrafo: “em Gaza, intensificaremos os esforços humanitários e de reconstrução, bem como a rápida implementação das medidas políticas e de segurança pertinentes. Apelamos ao fim da violência na Cisjordânia”.

G7 pede cessar-fogo imediato no Líbano em meio a ataques israelenses no sul do país
Ricardo Stuckert / PR
Acordo EUA e Irã
Sobre o memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos, os líderes do G7 o consideram uma “oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear” e para enfrentar “as ameaças relacionadas às suas atividades regionais e balísticas”.
Os países reafirmam no texto “que o Irã jamais obterá uma arma nuclear” e defendem o restabelecimento imediato da navegação no Estreito de Ormuz, frisando que “o direito de trânsito sem restrições ou taxas é o alicerce do comércio internacional”. As potências também apoiam a iniciativa da França e do Reino Unido de manter operações militares de segurança na região marítima, segundo o texto, para “proteger os navios mercantes” e “verificar a remoção de todas as minas” lançadas durante o conflito.
Segundo os líderes, a continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã deve contar com a participação de parceiros regionais e internacionais, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e abordar as ameaças representadas pelo Irã “na região e além”.
Ucrânia
Os líderes do G7 também reafirmaram no comunicado o “apoio inabalável” à Ucrânia, em defesa “da liberdade, soberania e integridade territorial” de Kiev, manifestando solidariedade à população afetada pelos ataques russos contra a infraestrutura crítica e o patrimônio cultural do país.
O grupo elogiou a resiliência das forças ucranianas e os avanços obtidos no campo de batalha nos últimos meses, destacando que existe agora um “novo ímpeto” no conflito. Eles concordaram em ampliar o fornecimento de capacidades de defesa aérea, sistemas adicionais, interceptores e equipamentos de longo alcance. Também se comprometeram a apoiar a resiliência energética da Ucrânia, a fim de garantir que o país tenha condições de enfrentar o próximo inverno.
O G7 anunciou ainda que pretende aumentar a pressão sobre a economia de guerra da Rússia por meio do reforço das sanções, incluindo medidas direcionadas aos setores de petróleo e gás.
Indo-Pacífico
O comunicado também destaca a importância de um Indo-Pacífico “livre e aberto”. As potências do G7 afirmam sua oposição a qualquer tentativa de “alterar o status quo, em particular pela força ou coerção, nos mares da China Oriental e Meridional e no Estreito de Taiwan”, que devem ser resolvidos “apenas pacificamente por meio do diálogo”.
Os países também expressaram “profunda preocupação” com os programas nuclear e de mísseis balísticos da Coreia do Norte, reiterando o compromisso pela completa desnuclearização do país. Eles também instaram Pyongyang “a resolver imediatamente a questão dos sequestros”, sem dar maiores detalhes; e prometeram uma resolução conjunta sobre “roubos de criptomoedas e os crimes cibernéticos” que atribuem à nação norte-coreana.
























