Hezbollah diz que não há cessar-fogo no Líbano e rejeita negociações diretas com Israel: ‘concessão inútil’
Líder do movimento libanês, Naim Qassem apoia 'diplomacia' e conversas 'indiretas' que levem a acordos, e garante que continuará resistindo para impedir avanço do regime sionista
O secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, declarou nesta segunda-feira (04/05) que não há cessar-fogo enquanto o Líbano continua sendo atacado por Israel. Embora apoie a diplomacia para o fim da agressão contra o país, a autoridade do movimento libanês reiterou que conversas diretas com o regime sionista seriam uma “concessão inútil” à favor do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
“Apoiamos a diplomacia que leve ao fim da agressão e à implementação de acordos. Apoiamos a diplomacia de negociação indireta… Quanto a negociações diretas, são uma concessão inútil e um favorecimento ao [primeiro-ministro israelense Benjamin] Netanyahu que procura projetar uma imagem de vitória”, afirmou Qassem em comunicado.
O secretário-geral do Hezbollah sustentou que o Líbano precisa de garantias para sua segurança e acrescentou que o grupo continuará sua resistência armada para impedir que Israel ganhe espaço no país.
“Que o mundo se lembre de que a rendição não será a solução”, declarou o líder, que rejeita o desarmamento do Hezbollah, sendo ele uma exigência do regime sionista. Para Qassem, “a solução com o inimigo não reside em tornar o Líbano, política e militarmente, num país fraco e submisso”, nem “numa diplomacia sobrecarregada pela continuidade da agressão”.
As declarações de Qassem ocorrem em um momento em que o processo diplomático está paralisado e o presidente libanês, Joseph Aoun, procura consolidar o frágil cessar-fogo com Israel, em vigor desde 17 de abril. Apesar da implementação do acordo, o regime sionista intensificou suas operações militares principalmente no sul do Líbano, resultando na destruição de infraestruturas e assassinatos de civis.
“Não há cessar-fogo no Líbano, mas sim uma contínua agressão israelo-americana. Não há palavras que possam condenar adequadamente os ataques contra civis”, disse Qassem.

O secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, declarou que não há cessar-fogo enquanto o Líbano continua sendo atacado por Israel
Tasnim/Hamed Malekpour
Insegurança alimentar no Líbano
Na semana passada, um relatório preparado conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pelo Ministério da Agricultura do Líbano revelou que aproximadamente um quarto da população libanesa está enfrentando níveis críticos de insegurança alimentar, impulsionados pelas contínuas operações israelenses apoiadas pelos Estados Unidos.
De acordo com o documento, a tendência é piorar: 1,2 milhão de pessoas no Líbano devem enfrentar fome severa no período entre abril e agosto de 2026. Entre novembro e março, 874 mil pessoas, ou seja 17% da população, estavam em estado semelhante.
A escalada da crise está diretamente relacionada aos ataques israelenses que destruíram infraestrutura civil e resultaram no deslocamento de mais de um milhão de pessoas. Apesar do cessar-fogo, as forças do regime sionista continuam as operações no sul do Líbano, e os moradores são alertados para não voltarem para suas casas.
Segundo o relatório, as atividades agrícolas e os meios de subsistência rurais, especialmente no Vale do Bekaa e nas regiões do sul, foram bastante afetados por serem pontos estratégicos de ataques israelenses. Enquanto isso, análises da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC) mostram que as famílias estão cada vez mais tendo dificuldades para suprir as necessidades alimentares básicas, e que muitos recorreram a reduzir porções, pular refeições ou vender ativos, ficando endividados, para sobreviver.





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