Irã condena ‘assassinato covarde’ de comandante do Hezbollah em ataque israelense no Líbano
Ali Tabatabai e outros quatro combatentes foram mortos neste domingo (23); diplomacia iraniana critica silêncio da ONU e pede reação internacional
O governo do Irã condenou nesta segunda-feira (24/11) o assassinato de Haytham Ali Tabatabai, chefe militar interino do Hezbollah durante um ataque israelense no Líbano. Ele foi atingido em Haret Hreik, bairro densamente povoado de Dahiyeh, neste domingo (23/11). Ao menos 28 pessoas ficaram feridas, incluindo 10 crianças e 8 mulheres.
Tabtaba’i era uma das principais figuras militares da organização e líder estratégico da Resistência Islâmica Libanesa. Também foram mortos os combatentes do Hezbollah, Qassem Hussein Barjawi, Mustafa As’ad Berro, Rifa’at Ahmed Hussein e Ibrahim Ali Hussein.
A diplomacia iraniana classificou a ação como um “assassinato covarde” e um “crime terrorista”, defendendo que seus responsáveis sejam processados e punidos. “O Ministério das Relações Exteriores do Irã condena firmemente o assassinato covarde do grande comandante da resistência islâmica libanesa, o mártir Haitham Ali Tabatabai”, diz o texto.
O Irã também qualificou como “lamentável e injustificável” a inação e o silêncio das Nações Unidas e do Conselho de Segurança diante “das agressões contínuas e inúmeros crimes do regime israelense contra o povo libanês”. E exigiu “uma ação séria da comunidade internacional para enfrentar o terrorismo organizado e a belicismo do regime sionista contra o Líbano e outros países da região.”
“Sem dúvida, as aventuras militares do regime sionista na região da Ásia Ocidental são a maior ameaça, não apenas à paz e estabilidade desta região, mas também à paz e segurança internacionais, e, portanto, enfrentar essa ameaça é uma responsabilidade global”, afirma o texto.
O ataque ocorreu no dia em que o Líbano celebrava seu Dia da Independência e às vésperas do primeiro ano do acordo de trégua com Israel, firmado 27 de novembro de 2024.

Irã condena ‘assassinato covarde’ de comandante do Hezbollah em ataque israelense no Líbano
Ministério das Relações Exteriores do Irã / IRNA
‘Sinal verde dos EUA’
Autoridades libanesas e o próprio Hezbollah afirmam que o ataque contou apoio dos Estados Unidos que havia oferecido uma recompensa de US$ 5 milhões pela captura ou morte de Tabtaba’i.
Mahmoud Qmati, vice-presidente do Conselho Político do Hezbollah, apontou que o ataque representa “mais uma violação do cessar-fogo” e acusou o “sinal verde dado pelos Estados Unidos” para a ação das forças israelenses. Em sua avaliação, o ataque cruza uma “linha vermelha”.
Qmati também informou que a liderança do Hezbollah está avaliando sua resposta ao ataque. Em comunicado, o grupo lamentou as mortes: “os combatentes carregarão o seu sangue puro, tal como carregaram o sangue de todos os comandantes mártires, e avançarão com firmeza e coragem para derrotar todos os projetos do inimigo sionista e do seu patrono, os Estados Unidos”.
A organização também aponta que a recorrência desses assassinatos pela quarta vez “é uma evidência clara de uma política sistemática adotada pelo regime sionista para atacar funcionários de instituições civis”. Isso constitui “uma violação do direito internacional e dos acordos existentes”, afirma o Hezbollah, ao exigir “uma resposta firme do governo libanês, juntamente com medidas diretas para dissuadir e impedir a continuação desses ataques”.
Silêncio internacional
O Hezbollah salientou que “apesar dos repetidos assassinatos, as instituições internacionais não tomaram nenhuma ação concreta”, o que “levanta sérias questões sobre o compromisso da comunidade internacional em apoiar civis e funcionários das instituições locais”.
Dois dias antes do ataque, o presidente libanês, Joseph Aoun, pediu o apoio da comunidade internacional contra as agressões de Israel. “O Líbano, que tem respeitado a cessação das hostilidades há quase um ano e apresentado diversas iniciativas, renova seu apelo à comunidade internacional para que assuma sua responsabilidade e intervenha de forma firme e séria para pôr fim aos ataques contra o Líbano e seu povo”, afirmou Aoun.
A Rede de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos Samidoun também expressou sua indignação e instou “todos os apoiadores da Palestina, do Iêmen, do Líbano e da justiça e dignidade a se unirem à campanha pela libertação dos prisioneiros libaneses nas prisões sionistas”.
“O encarceramento dos prisioneiros libaneses — incluindo agricultores, pescadores, trabalhadores e combatentes pela liberdade — é um ato diário de guerra contra o Líbano, assim como os assassinatos, os bombardeios e as invasões”, afirmou a entidade.
Ao assumir a responsabilidade pelas mortes neste domingo, Israel disse que as agressões continuarão. O país alega que o grupo estaria se rearmando e reorganizando suas forças na região fronteiriça. “Continuaremos a fazer tudo o que for necessário para impedir que o Hezbollah restabeleça sua capacidade de nos ameaçar”, afirmou o premiê israelense Benjamin Netanyahu.























