Terça-feira, 23 de junho de 2026
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O Exército de Israel lançou ataques de artilharia e drones contra o sul do Líbano, horas depois de os EUA e o Irã anunciarem um acordo para pôr fim à guerra na região, segundo relatos da mídia libanesa. De acordo com o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, que mediou as negociações, o Líbano também foi incluído na trégua.

A Agência Nacional de Notícias libanesa (NNA) relatou que um drone israelense sobrevoou Beirute, capital do país, em baixa altitude. Além disso, os veículos aéreos não tripulados também foram vistos voando em baixa altitude sobre Bayssarieh, Sarafand e áreas adjacentes no sul do Líbano nesta segunda-feira (15/06), assim como a região de Tire e ao longo do rio Litani.

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Segundo a agência, as Forças de Defesa de Israel (IDF) realizaram ataques em al-Khiam e Haris, no sul do Líbano, utilizando veículos-bomba. Também foi relatado que um drone atingiu um veículo na vila de Tebnine e que as IDF realizaram ataques de artilharia nessa mesma vila e na cidade de Nabatieh al-Fawqa.

As forças israelenses ainda realizaram, nesta segunda-feira, duas explosões controladas em Khiam, na direção da área de Dardara, enquanto um drone israelense lançou uma granada de efeito moral sobre Haris. No distrito de Tire, as forças israelenses detonaram um veículo blindado M113 operado remotamente e armado com explosivos na estrada Haris-Tebnine, após este ter avançado em direção à área. Não foram divulgados dados imediatos sobre os danos.

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Por sua vez, um representante do Hezbollah disse à Agência Reuters nesta segunda-feira que o grupo não realizou nenhuma operação desde o anúncio do pacto Irã-EUA e que sua posição sobre o cessar-fogo está ligada ao cumprimento do mesmo por Israel.

O funcionário, que pediu para não ser identificado, acrescentou que a Resistência Islâmica rejeita a “liberdade de movimento” israelense no Líbano e disse que o Irã atrasou a assinatura do pacto com os EUA para monitorar o cumprimento do cessar-fogo por Israel no Líbano. O Hezbollah não comentou oficialmente o pacto com os EUA.

Em contrapartida, apesar da inclusão do Líbano no pacto EUA-Irã, o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que “as Forças de Defesa de Israel permanecerão nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza – por tempo indeterminado – para defender a fronteira e as comunidades israelenses contra elementos jihadistas”.

Dessa forma, o Exército Libanês pediu nesta segunda-feira aos moradores que não retornem imediatamente às aldeias da fronteira sul, apesar dos relatos de um cessar-fogo, e os instou a seguir as instruções das unidades militares destacadas para garantir sua segurança.

Em comunicado, as Forças Armadas libanesas alertaram para o risco contínuo representado pelas violações e ataques israelenses e pediu cautela nas áreas afetadas pelas recentes hostilidades. Também solicitou aos cidadãos que denunciem munições não detonadas e objetos suspeitos ao posto do exército ou das forças de segurança mais próximas.

Cessar-fogo EUA-Irã

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que o Líbano é uma parte crucial do memorando de entendimento e que o país acompanhará de perto os desdobramentos na região.

“Respeitar a soberania e a integridade territorial do Líbano faz parte do pacto provisório com os EUA“, disse Baghaei aos jornalistas. “Gostaria de expressar minhas condolências a todo o povo libanês. Tomamos nossa decisão com base em certas medidas, em resposta a esses ataques terroristas perpetrados pela entidade sionista contra o Líbano”, acrescentou.

O respeito pela soberania nacional do Líbano é um dos principais pilares do memorando de entendimento com os Estados Unidos, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, segundo a agência iraniana Tasnim.

Segundo o texto do pacto, que deve ser assinado na sexta-feira (19/06), nenhum acordo será sustentável sem garantias abrangentes para a segurança e a independência territorial do Líbano, acrescentou Baghaei.