Israel viola cessar-fogo e moradores do sul de Beirute denunciam 'destruição total' após novos ataques
Opera Mundi esteve na região de Dahieh, área bombardeada desde julho de 2024; famílias não conseguiram retornar ao local por falta de eletricidade e água
Israel bombardeou novamente a capital do Líbano nesta quarta-feira (06/05). Foi o primeiro ataque em Beirute desde o anúncio do cessar-fogo, há três semanas. A equipe da Opera Mundi esteve no local horas antes da área ser atingida.
O ataque ocorreu no subúrbio sul de Beirute, no bairro de Haret Hreik, próximo ao Hospital Bahman. Segundo relatos iniciais, Israel teria lançado três mísseis a partir de um navio de guerra.
O alvo declarado foi Malek Ballout, comandante da elite da Força Radwan do Hezbollah, mas a informação ainda não foi confirmada oficialmente por nenhum dos lados. De acordo com a mídia israelense, o ataque foi realizado em coordenação com os Estados Unidos.
No sul do Líbano, onde tropas israelenses também avançam por terra, novos ataques deixaram cinco vítimas. Em dois meses, o Exército de Israel já matou 2.700 pessoas em todo o país. Centenas eram civis sem ligação com o movimento xiita, e mais de 170 eram crianças.
Destruição completa
Horas antes de Israel violar mais uma vez o acordo de cessar-fogo e atacar a capital libanesa, a Opera Mundi visitou a região do Dahieh, área constantemente bombardeada desde julho de 2024.
No bairro de Haret Hreik, a reportagem esteve no pavilhão onde o ex-secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, morto em 2024, costumava fazer seus discursos históricos em aparições públicas.
Durante o trajeto, encontramos muitos prédios residenciais e comerciais destruídos, além de ruas e avenidas tomadas por escombros. A infraestrutura da região está completamente comprometida. Muitas pessoas ainda não puderam voltar para casa por falta de eletricidade, água ou internet.

Karim Zein foi forçado a deixar o Dahieh, bairro onde morava
Stefani Costa / Opera Mundi
Aos poucos, alguns moradores tentam reconstruir suas casas e comércios, tarefa difícil, já que Israel nunca parou de bombardear a região. Enquanto caminhávamos entre os escombros, conhecemos Karim Zein, nascido no sul do Líbano. Ele quis contar como foi forçado a deixar o Dahieh, bairro onde morava.
“Fui forçado a sair porque nosso prédio foi atingido e desabou. Um inimigo brutal, usurpador e criminoso o bombardeou”, disse. Ele explicou que entende a destruição de sua casa como um “sacrifício pela resistência” contra o invasor. “Como podem ver, nosso prédio era uma construção civil comum. O inimigo está atacando alvos sem sentido”, afirmou, enquanto mostrava o local onde vivia.
Antes de nos despedirmos, Karim perguntou se poderia enviar uma mensagem de apoio a Naim Qassem, atual secretário-geral do Hezbollah. Naquele bairro, é difícil encontrar quem não apoie o partido, que, além do braço armado, tem representação parlamentar e ministros de Estado.
“Não se preocupe conosco. Somos fortes e resilientes. Estamos com você, não importa o que aconteça. Mesmo que todos morramos pela resistência, não entregaremos nossas armas.”
























